segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Pisciana sensível

Estava cantando pra você “Perdi meu anel no mar”, música que não cantava há tempos, mas que fazia parte da nossa trilha sonora quando você era bebezinha. Você parada, me olhando. Ao final, ficou meio desconsertada e abriu a boca a chorar. De emoção. Mais abraços e mais choro da mamãe.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Marinices de novembro

Depois do mês mais lancinante de todos os tempos - o outubro do meu aviso prévio, com as emoções a flor da pele, despedidas, recomeços e muito trabalho, passamos 10 dias no Rio com o vovô e a vovó. Esses dias vão ficar na memória para sempre: aquele alivio de vida nova...a energia boa do recomeço.

Visitamos a bisinha, a tivó Bola e a tia Eliane em Juiz de Fora, fomos muitas vezes à casa da bisavozinha, passeamos com o vovô e a vovó e você se divertiu muito. Aliás, com a vovó e o vovô a diversão é sempre certa, mesmo quando ficamos em casa, pois, como eles, qualquer volta no quarteirão é, para você, uma festa! Fora todas as brincadeiras que eles inventam. Sempre dispostos e divertidos!

Algumas marinices dessa visita:

_ “Esse gato é zebra”, ao ver um gato cheio de listras escuras.

“_ Tô de olho em você, heim?”

“_ Parabéns! Muito bem!”, quando você julga que fizemos ou falamos algo certo.

“_ Mamãe, vamos levantar. Já é o dia!”

“_ Esse vovô é biruta!”

“_Não quero conversar isso agora”, quando a gente fala que está na hora de dormir ou tomar banho ou qualquer coisa que você não queira fazer.

“_Isso é uma boa ideia!”

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

A travessia da mamãe

Filha, nós sabemos o quanto 2013 foi um ano difícil. Sem querer julgá-lo como bom ou ruim, foi difícil.

Entre os obstáculos que enfrentamos, temos que registrar aqui o mês em que você ficou na escolinha em período integral. A Naiane estava se atrasando e faltando mais do que o normal e isso estava nos trazendo problemas no trabalho. Quando ela faltava, deixávamos você o dia todo na escolinha e era sempre bastante tranquilo. Você adora a escolinha e ficava numa boa. Então, achamos que colocá-la em período integral, dispensando a Naiane, seria uma boa solução.

Mas não foi. Você não se adaptou. Resistia a levantar da cama, chorava e, algumas vezes, até gritava muito enquanto te arrumávamos de manhã. Era uma confusão terrível.

No meio do seu protesto – e atrasados para o trabalho – eu e o papai muitas vezes não sabíamos como agir. Mas agíamos, mesmo sem saber. E nesse contexto aflitivo e angustiante, erramos e acertamos. Sabíamos que ali, naquele momento, tínhamos que: impor limites, te acalmar, dar um fim na situação ... ou, quando nada disso dava certo, tínhamos que, pelo menos, conseguir sair de casa e começar o dia – já bastante atrasados e atordoados. Em algumas vezes nos frustramos, em outras, perdemos a calma. Mas passou.

Até hoje, não sei dizer se por trás desse comportamento estava a escolinha em período integral, se foram birras normais (que eu poderia ter encarado de outra forma se estivesse mais fortalecida e menos estressada), ou se você, sempre tão sensível, estava absorvendo o estresse da mamãe e do papai, fruto da rotina tão massacrante da época.

O fato é que, hoje, já não penso nas razões do que aconteceu naquele setembro... Hoje vejo você como um anjo que, por caminhos pouco compreensíveis na época, me fez tomar uma das decisões mais acertadas da minha vida: pedi demissão em outubro e abri uma empresa de consultoria (chamada Travessia Comunicação Social e Relacionamento Comunitário). Desde então, fico com você pela manhã e trabalho à tarde, de casa, enquanto você está na escolinha.

Um dia, nas primeiras semanas dessa nova fase, você virou-se para mim, no meio de uma brincadeira qualquer, e me agradeceu por eu estar ficando em casa com você. Não há nenhum exagero nessa frase. Foi exatamente assim. Aliás, ainda falta uma informação: esse seu agradecimento veio seguido de um abraço muito carinhoso e de um choro meu, que lavou a alma.

Filha, sou eu que tenho que te agradecer: muito, mas muito obrigada por ter me ajudado a fazer essa travessia - que tem feito tão bem a nossa familinha. Você abriu a cortina que esconde de nós o que realmente importa. Ouvimos muito por aí que a vida é curta, que devemos saber a que devemos dar valor, mas você me ajudou a realizar tudo isso... a entender essas frases com a alma e o coração. E, principalmente, me deu coragem para sair do automático. Sem medos.

Nunca fui muito ambiciosa, nem workaholic e, se tem uma culpa que não levo é a de ter te dado pouca atenção e presença. A relação que nossa família teve com a babá/escolinha sempre foi muito equilibrada. Mas eu sentia que, mais do que a minha presença, você merecia e estava precisando é da minha paz, essa que estou encontrando aqui, do lado de cá dessa travessia.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Coisinhas fofas


“_ Mas que coisa!”

“_ Meu Deus do céu!”

“_ Não acredito!”

“_ Não vou, sim senhora!” (Ui, que “mêda”)

 “_ Mais do que tudo!”

“_ Você está feliz?”

“_ Primeiro eu vou tomar banho, depois vou colocar o pijaminha, depois vou escovar o dente, depois vou pentear o cabelo, depois vou limpar o ouvidinho, depois vou tomar mama-ate, tá bom?” (Esse “tá bom?” fecha 90% de todas as suas frases...). Ai, se você fosse sempre assim... tão disciplinada...

 “_ Posso te contar um segredo?” Eu sou uma princesa (falando no ouvido).

“_ Posso te contar um segredo? Eu te amo” (ou “Você é o meu amor”).

 

São frases que você fala com frequência. De quem será que você costuma ouvi-las?

Nos vemos em você, espelhinho!

E nesse período, você foi...


... do berço à mini-cama

... do gande ao grande, assim mesmo, com o “r” beeeem pronunciadinho

... da mucas à música

... da Maína à Marina

... da fóda à fralda

Seu vocabulário é realmente bastante desenvolvido e sua pronúncia, corretinha.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Marinices sem fim

Desde a última vez em que escrevi aqui tanta coisa aconteceu que nem sei por onde começar. Pelo andar da sua fofa carruagem, acho que o próximo post quem fará será você, porque só está faltando isso mesmo: ler e escrever. Você está esperta demais.

Desenvolveu muito a fala e as emoções, embora estas ainda sejam típicas de uma adolescente de 2 anos.Você não fala mais mucas e sim, música, e os erres já estão sendo pronunciados em muitas palavras no lugar do ele, como no seu nome, por exemplo.

Sua capacidade de compreensão do que se passa ao redor é impressionante e até seu tom de voz mudou nas últimas semanas – mais firme e suave.

Você, quando está no modo tranquila, é uma grande companheira: conversa, é carinhosa, atenciosa, muito engraçada e bem humorada.

E no seu modo “estou a fim de contrariar”, não se pode negar sua persistência, o que me tira do sério algumas vezes. Mas vamos às suas marinices:

  • No carro, voltando da Festa Agostina da escolinha, vendo as fotos no celular da vovó: “Vovó, vou comprar outro celular pra você, pois esse aqui quebra”. “Não, minha filha, devolve pra vovó, pois você já viu todas as fotos”. “Não, vovó, agora eu estou cansada e estou mandando uma mensagem pra tivó Bola”.
  • “Mamãe, essa roupa não combina”. “Mamãe, essa blusa não combina com a fralda”. “Mamãe, não quero esse pijama”!
  • No banheiro com a vovó: eu tenho medo de cair aí dentro, se referindo ao vaso sanitário.
  • Com o dedo indicar embaixo do olho, para a vovó: estou de olho em você, heim?
  • No parquinho com o papai: o que você quer fazer agora, Marina?” Estou pensando, papai. Estou pensando”.
  • Vendo o papai brincar com a Helena (uma bebê de 7 meses, filha de uma colega de trabalho): “Não faz assim, papai. Ela é só um bebê!”
  • Me dando abraço de parabéns no meu aniversário: “Estou com muita saudade, mamãe”., sendo que estávamos sem nos afastar por um minuto há 3 dias...
  • Quando chego em casa com sacolas, você pega uma delas e me dá, como se fosse um presente seu para mim: “Toma, mamãe...presente pra você”. “Obrigada, minha filha”. “De nada, meu amor”.
  • Dando bronca nos adultos: “Não pode. Já falei que não”.
  • Quando ouve as gracinhas do vovô: “Vovô biruta!”


sexta-feira, 14 de junho de 2013

Marinices na primavera do Reino Unido

E no estrangeiro, você curtiu muito o balanço, parquinhos, piquenique, as comidas que não fazem parte do seu dia a dia (como batata frita e pão com Nutela), ver fotos no iPhone da mamãe, ter longas conversas à noite com a tia Cris, conversar "em inglês" com o tio Gui e muito, muito mais.

Teve um dia, em que estávamos visitando um museu em Edimburgo e tinha um senhor perto da gente que não parava de tossir. De repente você fala na maior altura: "Que barulho é esse aí!" Aquele momento em que você dá graças a Deus por estar em outro país e ninguém entender seu idioma.

Ah! Ainda bem que existe a foto e o vídeo para eternizar esses momentos. Vamos relembrar?















  
 

terça-feira, 23 de abril de 2013

Marinices no inverno chuvoso e quente da Amazônia

Na escolinha, as professoras contam que voce é muito doce e alegre. Gosta de dançar e é muito inteligente. Mas também, muito levada. Custa a obedecer quando a ordem é ficar sentadinha, quietinha. Também relatam que você não bate nos coleguinhas e - sabe-se lá porque - nunca é vítima dos que gostam de dar tapinhas e mordidas. Mas adora colocá-los "para dormir" nas cadeirinhas e, às vezes, eles ficam meio contrariados com isso, pois não é toda hora que eles querem dormir, afinal. Elas também contam que você ama a hora da historinha, sempre querendo sentar bem na frente da professora, o que também não pode, pois assim os outros coleguinhas não conseguem ver e ouvir a história direitinho.

Em casa, você também adora colocar as bonecas para dormir e, muitas vezes, até eu e o papai. Coloca as bonecas e brinquedos na cadeirinha, os cobre com fraldas de pano, balança, canta música, diz palavras de carinho e balança de novo e coloca mais pano e muda eles de lugar...num processo muito complexo.

E não é só na escolinha que você curte os livros de história. Em casa também é uma de suas melhores diversões. Quando quer que a gente leia uma história, você pede: "Mamãe, 'faz aí'?" ou então "Mamãe, quero livrinho!". E você também adora "ler" por conta própria, num marinês muito fluente!

Além disso, você ainda gosta muito de desenhar, brincar de massinha, dançar e agora também de cantar. "Borboletinha está na cozinha fazendo chocolate para a madrinha" ainda é sua preferida. Mas também gosta do Sapo na Lagoa, da Bruxinha Bonitinha, da Bonequinha de Paris, da Casa tão Pequenina...aliás, música é sua paixão. Se estamos no carro e, por acaso, o papai ainda não ligou o som, você logo pede: "Papai, mucas, mucas!" Tem uma propaganda da Natura na TV, cuja música te encanta (realmente é uma música bonita). Quando ela começa, esteja você onde estiver, corre pra frente da TV e fica ali parada, balançando suave e hipnoticamente ao som da música, cheia de emoção.

Fora de casa, você gosta de ir a fesinhas de aniversário e continua amando pula-pula (seja nas festinha ou na pista, onde o papai sempre te leva aos fins de semana). Também gosta de ir a restaurantes, onde já chega pedindo um "suco de laranja, por favor" para o garçom. Gosta muito de ir à casa da tia Ana, brincar de "liquidificador" com as titias Juju, Carol, Ana e Mari.

Seu vocabulário está muito rico e fofo. Mas tem algumas palavras/expressões que, lá no fundo, a gente prefere que você continue falando errado por um tempo, pois é muito fofo. São elas: mucas (música), micença (dá licença), zoológus (zoológico), ola (olha) e mitividade (se refereindo às atividades da escolinha). Mas tem uma que a gente não vê a hora de você aprender o jeito certo: fóda (fralda). Melhor não, né filha?

Às vezes, você fica com mania de usar o plural em tudo: "Mamães, vem brincar comigos?". É engraçado :)

Ai, quanta fofurice....



domingo, 31 de março de 2013

Tristeza tão exata


Desculpe pelo título meio baixo astral desse texto, filha. Mas imagino este blog sendo lido, no futuro, pela mulher que você irá se tornar. Como qualquer mãe, tenho aquele desejo profundo e irracional de te poupar de qualquer dor ou sofrimento. Mas, isso é impossível. Por isso sei que, quando você se tornar uma mulher e ler este blog, já vai saber muito bem que a vida é feita de alegrias e frustrações, magia e sofrimento, e que nosso peito às vezes se infla de paz e, em outras vezes, se aperta de tanta tristeza. E que, mesmo assim, temos que seguir em frente, sofrendo o “necessário”, e dando todas as chances para a felicidade...

Foi um tanto de tempo sem escrever aqui, mas não foi por falta de assunto. Muito pelo contrário. Nem sei por onde começar. Vou começar começando...me acompanhe...

Em março de 2013, vivemos um fato muito triste. Estava chegando um presente muito especial para nossa família (essa família que você recria e fortalece a cada dia): mamãe estava esperando um bebê. Mas, infelizmente, não deu certo, e esse sonho doce foi interrompido às 7 semanas da gestação.

A tristeza e o pesar que senti foram bem maiores do que jamais imaginei. Os primeiros socorros, abraços, apoio vieram da vovó e do vovô - mais uma vez. Não sei o que seria de mim/de nós sem eles.  

E depois dessa primeira fase mais sofrida, fomos buscar colo, carinho e ar fresco nos braços da tia Cris, do tio Gui e do tio Dé. Passamos 20 dias em Londres/Edimburgo. Convívio, amor, parquinhos, balanços, escorregas, piqueniques, frio, longas caminhadas, zoológicos, passeios, cervejas, muitas e muitas conversas, descanso... Não há nada no mundo mais importante que a família. Você já percebeu isso, né filha? Tenho certeza de que sim.

Alguns dias depois, já no Brasil, fomos passar um feriado na Chapada dos Guimarães (MT), com a tia Carol e o tio Fábio. O contato com a natureza e com esses amigos tão especiais acabaram de nos reenergizar. A dor nunca vai passar, mas agora me sentia pronta para seguir em frente. Por mim, por você, pelo papai e por tudo o que ainda virá de bom para nós!

segunda-feira, 18 de março de 2013

Alegria no tom certo

Corujas em estampas de roupas e roupas de cama, em objetos de decoração, no Brasil e no estrangeiro. Corujas em todo lugar. Mas, eu juro, só fui me dar conta disso depois de ter escolhido o tema da sua festa de 2 anos. Na época das decisões, escolhi o tema que me pareceu mais original, dentre os que eu vi no cardápio das empresas de decoração. Afinal, não adianta muito pensar em um super tema e, depois, descobrir que nunca foi feito por aqui. Dessa forma, sai muito mais caro, pois eles terão que fazer pela primeira vez. Então escolhi o que achei mais fofo e original dos que estavam ao dispor.

Escolhido o tema, fizemos a identidade visual com a Fran (esposa do pediatra e mãe do seu amigo Pedro), comidinhas com a Val, toque especial da Tivó Bola (imã de geladeira de coruja) e enfeites de mesa e lembrancinhas com a super vovó, que se superou com um enfeite de mesa lindo e muito elogiado pelos convidados.

Ficou tudo lindo e, o mais importante, você adorou e se divertiu muito! No dia da festa, enquanto ainda arrumávamos tudo, você ficou com o tio Cleiton acompanhando cada etapa da montagem do pula-pula e, quando ele estava pronto, se acabou de brincar, num pula-pula só pra você. Até que chegou a hora de subir para tomar banho e se arrumar para esperar os convidados. Nessa hora, você ficou meio irritadinha (acho que era sono e cansaço de tanto pular) e achamos melhor deixar você tirar um soninho. Foi a melhor coisa, pois mesmo com um pequeno atraso, você chegou à sua festinha cheia de energia. Passou os primeiros momentos com um vestido, pois não quis colocar o conjunto de corujinhas. Depois subimos novamente (Naiane nos ajudou) e você concordou em colocar o conjunto de corujinhas, que parece ter sido encomendado para a festa, quando na verdade foi um feliz e casual achado.

Voce desenhou, brincou, dançou e curtiu muuito o parabéns. No dia seguinte, ao ver as fotos, você pedia: " Mamãe, quero ir lá no aniversario!" Com jeito, te expliquei que o "lá" tinha ficado pra trás e que só nos resta esperar por outros momentos felizes e lembrar com alegria dos que passaram! Mas essa sua pergunta foi o maior sinal de que você gostou e curtiu cada momento. E isso é o mais importante.

No final, ficou essa satisfação, por um lado e, por outro, aquela sensação de que festas de criança ainda podem - e devem - ser mais simples. Criança combina com cachorro-quente, muitas cores, brincadeiras, bolas de soprar, pipoca, dia claro. Tudo isso tinha na sua festa, ok! Mas... sinceramente, acho que criança não combina com convites impressos, decoração encomendada, bifê com mini porções e outros excessos...sei lá...Mas daqui a 1 ano terei outra oportunidade de achar o tom. O que importa foi sua alegria e a lembrança que traz até hoje, quando lembra do seu "aniversário de corujinhas", como você diz! 

Decoração

Lembrancinhas

Decoração

Decoração

Detalhes

Bolo

Com a recreadora

Na fila para a tatuagem

No amado pula-pula

No amado pula-pula

A alegria com a babá

Parabéns pra você!

Parabéns pra você!

Parabéns pra você!

Parabéns pra você!
Parabéns pra você!

Com o padrinho!

Entrega das lembrancinhas

Entrega das lembrancinhas

 Na véspera da festa, dia verdadeiro do aniversário de 2 anos (15/03)

Na véspera da festa, dia verdadeiro do aniversário de 2 anos (15/03)

Na véspera da festa, dia verdadeiro do aniversário de 2 anos (15/03)

domingo, 3 de março de 2013

Marinices de março

Fala de um tudo, todo o tempo. Tem prazer em falar. Quando não tem assunto, vai descrevendo o que está fazendo.

Quando quer ouvir uma história: “Mamãe, faz ?”

Quando a gente acaba de contar uma história, você pega o livro e começa a recontá-la no seu dialeto, mas dando as mesmas entonações, gestos e expressões. Uma graça. Suas frases sempre começam por: “Aí o peixe falou...”, “Aí, a mamãe dele falou...”, “Aí, o patinho falou...”


Normalmente isso acontece depois que você presencia um diálogo entre dois adultos (eu e seu pai, por exemplo), em que falamos de forma mais rápida, cadenciada e com muitas palavras. Acho que você fica inspirada e começa a falar também, porém na ausência do mesmo vocabulário, vai alternando palavras reais com outras que você inventa. Brincamos que , nessas horas, você está falando hebraico. É muito engraçado. Parece um discurso. E suas caras e bocas então, nem se fala.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Marinices de Fevereiro



1)  “Filha, vem cá para eu te dar um abraço?”
“Abraço não, mamãe. Só beijinho”.

2)  Outras vezes é você quem pede: "Mamãe, quero abraço e beijinho". E me dá beijinhos na bochecha, no nariz, na testa...vários beijinhos..."

3)   “Para com isso, mamãe”. Quando resolve colocar limites em mim. Tá se achando, né? E você fala bem explicadinho: “Para com isso, mamãe”.

4)   Você fazendo alguma coisa errada e o papai chama a sua atenção. Pode ser uma conversa mais séria ou um simples “M-a-r-i-n-a!”
Você vem até mim, com os olhos marejados de drama e diz:
“Mamãe, papai brigou...”
O contrário também acontece: “Papai, mamãe brigou...”

5)  Um dia, seu pai estava te fazendo carinho no cabelo e no pescoço, no meio de uma brincadeira:
“Pára, papai...Sai, papai...”
“Mamãe, o papai.....o papai....o papai fez....carinho”.

6)  Você querendo brincar de panelinha:  
“Mamãe, vamos bater um bolinho?”

7) Quando você está comendo ou bebendo algo:
“Mamãe qué? Papai qué? Moça/o  qué?”. Essa(e) moça(o) pode ser alguém na TV ou algum desconhecido perto de nós na rua.

8)  Ao avistar o muro da sua escolinha, você começa a gritar no carro: “Escolinha, escolinha, escolinha!!”. Adoro quando você fala alto, com força. Sempre me viro para te ver nesse momento. Seu rosto se abre numa expressão intensa, feliz. Seu sorriso ilumina toda a cidade!

9) No Carnaval do Rio, quando você queria ficar brincando só com a vovó:
“Sai, mamãe. Vai pra lá...fica lá...Tchau...”

10) Chamando a vovó para brincar:
“Vem cá, meu bem!”

11)   Papai demorando a atender seu chamado:
“Papai, assim você me mata...”

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Desmame


Esse texto poderia ter outros títulos, como:
Haja papiro
Mãe, você fala/escreve muito!
Já entendi, não precisa dar mais detalhes
Obsessão pelos registros
 
Piadinhas a parte, vamos ao que interessa:

Filha, como já abordamos a amamentação neste espaço, vou registrar o desfecho. Em novembro, resolvi buscar por uma terapeuta especializada em desmame e assuntos afins. Minha intenção era esclarecer dúvidas para ter mais segurança em minhas ações. (Minhas dúvidas sobre esse tema estavam me paralisando, daí a decisão por buscar ajuda profissional.) Na primeira sessão, ela me passou muitas informações importantes e confirmou algumas impressões que eu tinha. Não vou descrever tudo aqui, mas o que posso dizer é que 1 dia após a 1ª sessão, as mamadas já estavam reduzidas a 3 por dia. A estratégia? Fui pelo caminho da verdade: conversa, olho no olho, o não firme e o apoio e carinho enquanto você gritava e chorava para o mundo sua frustração.

Após os primeiros 2 dias mais difíceis, a nova rotina se consolidou. Decidi que manteria assim até fazermos as viagens de fim de ano e que, no nosso retorno, concluiria o processo do desmame.

Porém, durante as viagens (Rio, Juiz de Fora, Rio de novo, Lajeado, Buenos Aires....ufa!), fomos retrocedendo a ponto de voltar a um estágio ainda mais intenso do que antes do início do desmame. Você mamou muito e muito nas 2 últimas etapas das férias (RS e BsAs). Mas muito mesmo.!Era a todo hora, em todo lugar. Ao retornar a Porto Velho, fui a uma sessão com a terapeuta. Pelo que descrevi, ela analisou que a mamada, para você, era uma forma de canalizar sua ansiedade e de ocupar qualquer tempo ocioso. Não era mais alimento (já há bastante tempo), nem mesmo um momento afetivo (felizmente, temos muitos outros). Dessa forma, ela disse que era muito importante eu trabalhar esse limite, pois isso poderá refletir na maneira como você vai lidar com sua ansiedade em outras fases da sua vida.

O resultado foi que no dia seguinte, já conseguimos voltar à rotina de 3 mamadas por dia. Pretendia ficar assim por mais umas 2 semanas para, então, desmamar totalmente. Porém no dia seguinte, sábado, 7 de janeiro, você mamou pela manhã.  E, ao longo do dia, ao pedir mais, sempre tinha alguém para te distrair. O meu não vinha acompanhado da vovó e do vovô (que estavam passando uns dia lá em casa) propondo algum passeio ou brincadeira. E, assim, o dia foi passando sem mamadas. À noite, quando uma mamada já estaria liberada, você estava tão cansada que deitou a cabeça no meu ombro e dormiu. De madrugada, acordou uma vez e não pediu o “mamá”.  No dia seguinte, pela manhã, tínhamos completado 24 horas sem mamadas. Pensei: "Agora vou até o fim". E assim foi. Porém o 2º dia foi mais difícil. O 3º, 4º e 5º ainda mais difíceis – pra você e pra mim. Acho que foram os dias mais difíceis desde que me tornei mãe. Mas ao final do 5º dia, as coisas começaram a melhorar até que arrefeceu.

Muitas mães usam alguns artifícios, como sujar o peito com borra de café e mostarda, fingir que o peito está machucado, lambuzá-lo com ruibarbo, andiroba, babosa...ouvi de um tudo. Assim a criança perde o interesse naturalmente, o que significa, na teoria, menos choro e menos sofrimento. Mal não deve fazer, mas perde-se uma oportunidade relevante de se impor um limite, de fazer a criança vivenciar a frustração, de fazê-la compreender que às vezes não dá. Como tantas outras coisas na vida. Além disso, é a opção pela verdade. Acho que a verdade é sempre o melhor caminho. Mas o importante nesse processo foi dar muito amor, apoio e carinho nos seus piores momentos. Você chorava e esperneava no meu colo, sempre no meu colo, perto de mim.

Confesso que no meio dos seus protestos tão sofridos (afinal é difícil deixarmos de fazer algo de que gostamos muito e com o qual já estamos acostumados), pensava em desistir. Me perguntava por que não tinha optado pela borra de café. Achava que esse meu jeito de racionalizar, pensar, repensar, conversar, me angustiar só estava te trazendo problemas e que o melhor seria se eu fosse uma pessoa com menos questões e simplesmente fizesse o que a maioria faz. Você não teria sofrido tanto. Mas hoje vejo que tudo passou e que saímos fortalecidas, unidas e mais conscientes disso tudo. Pelo menos eu acho. Espero ter feito o certo. Certo para nós, pois não acredito em verdades absolutas. Fiz o que acreditei, o que dei conta, de acordo com as minhas convicções.

Só lamentei muito não ter tido consciência da última mamada quando ela aconteceu. Não sabia que seria a última. Como disse, ainda esperaria umas 2 semanas, mas as primeiras 24 horas se completaram de forma inesperada. Por outro lado, acho que se soubesse que seria a última, não ia aguentar de tanto aperto no coração. Mas ... o mundo dá voltas e exatamente 1 mês depois da última mamada (7 de fevereiro), viajávamos de avião para o Rio e, no final da viagem, você sentiu o ouvido. Nunca tinha sentido, até porque estava sempre no peito nas decolagens e aterrissagens. Mas dessa vez você sentiu e parecia estar doendo muito. Você me olhava desesperada como quem diz: "Faça alguma coisa!! O que é isso que estou sentindo?!?!”. E esse foi um dos raros momentos na minha vida em que não racionalizei. Olhei pra você (que me olhava com aqueles olhos arregalados de desconforto) e não pensei em nada, fui instinto puro: levantei a blusa e te dei o peito. Detalhe: você nem havia pedido. Você mamou tanto e foi tão, mas tão bom. Foi a nossa despedida. Na hora, o seu pai olhou pro lado não acreditando no que eu tinha feito. Com receio de que tudo fosse começar de novo. Mas eu sabia que não. A gente se entendeu bem naquela hora, né filha? Você mamou, mamou (nem sei se ainda tinha leite). E parou quando quis. Foi uma despedida em grande estilo. Foi muito bom. Ao acabar, você não pediu mais. Agora sim, tínhamos colocado o nosso ponto final nessa história, para continuarmos outras e outras igualmente cheias de amor e cumplicidade. Só mais uma coisa antes de encerrar: que saudade enooorme eu tenho de amamentar!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Aires buenos

Será que é preciso mesmo registrar? Será que algum dia a gente vai esquecer as longas caminhadas, o carrinho levando nossa mochila, as descobertas deliciosas no Zoológico e no Temaikèn, o almocinho restaurador no Dadá Bistrô, os longos banhos na banheira do hotel, a nossa grande cama, o soninho no Jardim Botânico, as birras no final da tarde, quando o seu cansaço chegava, a mamação sem fim no ônibus amarelo, as suas paradas estratégicas nas calçadas - a cada degrau de entrada de prédio, o chororô quando tínhamos que te pegar no colo para atravessar a rua, seu encantamento no MALBA, o bom atendimento no Hospital Aleman, por causa do seu vermelhinho no rosto, o carrossel (calesita), a primeira cerveja da mamãe em 2 anos e 7 meses no Clube da Milanesa, em Palermo, o colinho do papai na nossa saga de volta ao hotel, nas primeiras horas de 2013, o grito de Gol no estádio do Boca com o papai. Não. Nem precisava escrever. Não dá para esquecer essas tão doces lembranças.