quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Marinices de Fevereiro



1)  “Filha, vem cá para eu te dar um abraço?”
“Abraço não, mamãe. Só beijinho”.

2)  Outras vezes é você quem pede: "Mamãe, quero abraço e beijinho". E me dá beijinhos na bochecha, no nariz, na testa...vários beijinhos..."

3)   “Para com isso, mamãe”. Quando resolve colocar limites em mim. Tá se achando, né? E você fala bem explicadinho: “Para com isso, mamãe”.

4)   Você fazendo alguma coisa errada e o papai chama a sua atenção. Pode ser uma conversa mais séria ou um simples “M-a-r-i-n-a!”
Você vem até mim, com os olhos marejados de drama e diz:
“Mamãe, papai brigou...”
O contrário também acontece: “Papai, mamãe brigou...”

5)  Um dia, seu pai estava te fazendo carinho no cabelo e no pescoço, no meio de uma brincadeira:
“Pára, papai...Sai, papai...”
“Mamãe, o papai.....o papai....o papai fez....carinho”.

6)  Você querendo brincar de panelinha:  
“Mamãe, vamos bater um bolinho?”

7) Quando você está comendo ou bebendo algo:
“Mamãe qué? Papai qué? Moça/o  qué?”. Essa(e) moça(o) pode ser alguém na TV ou algum desconhecido perto de nós na rua.

8)  Ao avistar o muro da sua escolinha, você começa a gritar no carro: “Escolinha, escolinha, escolinha!!”. Adoro quando você fala alto, com força. Sempre me viro para te ver nesse momento. Seu rosto se abre numa expressão intensa, feliz. Seu sorriso ilumina toda a cidade!

9) No Carnaval do Rio, quando você queria ficar brincando só com a vovó:
“Sai, mamãe. Vai pra lá...fica lá...Tchau...”

10) Chamando a vovó para brincar:
“Vem cá, meu bem!”

11)   Papai demorando a atender seu chamado:
“Papai, assim você me mata...”

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Desmame


Esse texto poderia ter outros títulos, como:
Haja papiro
Mãe, você fala/escreve muito!
Já entendi, não precisa dar mais detalhes
Obsessão pelos registros
 
Piadinhas a parte, vamos ao que interessa:

Filha, como já abordamos a amamentação neste espaço, vou registrar o desfecho. Em novembro, resolvi buscar por uma terapeuta especializada em desmame e assuntos afins. Minha intenção era esclarecer dúvidas para ter mais segurança em minhas ações. (Minhas dúvidas sobre esse tema estavam me paralisando, daí a decisão por buscar ajuda profissional.) Na primeira sessão, ela me passou muitas informações importantes e confirmou algumas impressões que eu tinha. Não vou descrever tudo aqui, mas o que posso dizer é que 1 dia após a 1ª sessão, as mamadas já estavam reduzidas a 3 por dia. A estratégia? Fui pelo caminho da verdade: conversa, olho no olho, o não firme e o apoio e carinho enquanto você gritava e chorava para o mundo sua frustração.

Após os primeiros 2 dias mais difíceis, a nova rotina se consolidou. Decidi que manteria assim até fazermos as viagens de fim de ano e que, no nosso retorno, concluiria o processo do desmame.

Porém, durante as viagens (Rio, Juiz de Fora, Rio de novo, Lajeado, Buenos Aires....ufa!), fomos retrocedendo a ponto de voltar a um estágio ainda mais intenso do que antes do início do desmame. Você mamou muito e muito nas 2 últimas etapas das férias (RS e BsAs). Mas muito mesmo.!Era a todo hora, em todo lugar. Ao retornar a Porto Velho, fui a uma sessão com a terapeuta. Pelo que descrevi, ela analisou que a mamada, para você, era uma forma de canalizar sua ansiedade e de ocupar qualquer tempo ocioso. Não era mais alimento (já há bastante tempo), nem mesmo um momento afetivo (felizmente, temos muitos outros). Dessa forma, ela disse que era muito importante eu trabalhar esse limite, pois isso poderá refletir na maneira como você vai lidar com sua ansiedade em outras fases da sua vida.

O resultado foi que no dia seguinte, já conseguimos voltar à rotina de 3 mamadas por dia. Pretendia ficar assim por mais umas 2 semanas para, então, desmamar totalmente. Porém no dia seguinte, sábado, 7 de janeiro, você mamou pela manhã.  E, ao longo do dia, ao pedir mais, sempre tinha alguém para te distrair. O meu não vinha acompanhado da vovó e do vovô (que estavam passando uns dia lá em casa) propondo algum passeio ou brincadeira. E, assim, o dia foi passando sem mamadas. À noite, quando uma mamada já estaria liberada, você estava tão cansada que deitou a cabeça no meu ombro e dormiu. De madrugada, acordou uma vez e não pediu o “mamá”.  No dia seguinte, pela manhã, tínhamos completado 24 horas sem mamadas. Pensei: "Agora vou até o fim". E assim foi. Porém o 2º dia foi mais difícil. O 3º, 4º e 5º ainda mais difíceis – pra você e pra mim. Acho que foram os dias mais difíceis desde que me tornei mãe. Mas ao final do 5º dia, as coisas começaram a melhorar até que arrefeceu.

Muitas mães usam alguns artifícios, como sujar o peito com borra de café e mostarda, fingir que o peito está machucado, lambuzá-lo com ruibarbo, andiroba, babosa...ouvi de um tudo. Assim a criança perde o interesse naturalmente, o que significa, na teoria, menos choro e menos sofrimento. Mal não deve fazer, mas perde-se uma oportunidade relevante de se impor um limite, de fazer a criança vivenciar a frustração, de fazê-la compreender que às vezes não dá. Como tantas outras coisas na vida. Além disso, é a opção pela verdade. Acho que a verdade é sempre o melhor caminho. Mas o importante nesse processo foi dar muito amor, apoio e carinho nos seus piores momentos. Você chorava e esperneava no meu colo, sempre no meu colo, perto de mim.

Confesso que no meio dos seus protestos tão sofridos (afinal é difícil deixarmos de fazer algo de que gostamos muito e com o qual já estamos acostumados), pensava em desistir. Me perguntava por que não tinha optado pela borra de café. Achava que esse meu jeito de racionalizar, pensar, repensar, conversar, me angustiar só estava te trazendo problemas e que o melhor seria se eu fosse uma pessoa com menos questões e simplesmente fizesse o que a maioria faz. Você não teria sofrido tanto. Mas hoje vejo que tudo passou e que saímos fortalecidas, unidas e mais conscientes disso tudo. Pelo menos eu acho. Espero ter feito o certo. Certo para nós, pois não acredito em verdades absolutas. Fiz o que acreditei, o que dei conta, de acordo com as minhas convicções.

Só lamentei muito não ter tido consciência da última mamada quando ela aconteceu. Não sabia que seria a última. Como disse, ainda esperaria umas 2 semanas, mas as primeiras 24 horas se completaram de forma inesperada. Por outro lado, acho que se soubesse que seria a última, não ia aguentar de tanto aperto no coração. Mas ... o mundo dá voltas e exatamente 1 mês depois da última mamada (7 de fevereiro), viajávamos de avião para o Rio e, no final da viagem, você sentiu o ouvido. Nunca tinha sentido, até porque estava sempre no peito nas decolagens e aterrissagens. Mas dessa vez você sentiu e parecia estar doendo muito. Você me olhava desesperada como quem diz: "Faça alguma coisa!! O que é isso que estou sentindo?!?!”. E esse foi um dos raros momentos na minha vida em que não racionalizei. Olhei pra você (que me olhava com aqueles olhos arregalados de desconforto) e não pensei em nada, fui instinto puro: levantei a blusa e te dei o peito. Detalhe: você nem havia pedido. Você mamou tanto e foi tão, mas tão bom. Foi a nossa despedida. Na hora, o seu pai olhou pro lado não acreditando no que eu tinha feito. Com receio de que tudo fosse começar de novo. Mas eu sabia que não. A gente se entendeu bem naquela hora, né filha? Você mamou, mamou (nem sei se ainda tinha leite). E parou quando quis. Foi uma despedida em grande estilo. Foi muito bom. Ao acabar, você não pediu mais. Agora sim, tínhamos colocado o nosso ponto final nessa história, para continuarmos outras e outras igualmente cheias de amor e cumplicidade. Só mais uma coisa antes de encerrar: que saudade enooorme eu tenho de amamentar!