quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Anteninhas


Filha, conta pra mim? Ainda tem alguma coisa que a gente fale que você não entende? Parece que você capta tudo, t-u-d-i-n-h-o.  E você fala o tempo inteirinho. Está acordada; está conversando. Já forma algumas pequenas frases também:

Bem cá, mamãe!

Bamos, papai? (Você troca o v pelo b)

Papai gô não? (Papai não chegou não?)

Qué tolo, mamãe! (Quero colo, mamãe. Você também troca o c pelo t)
 
Mamázinho, mamãe? Pouquinho só, tá? (e faz o sinal de pouquinho com a mão)

E, quando resolve repassar, um a um, todos os que já estão dormindo:

O _____________ a mimindo, papai.  (O _______________ está dormindo, papai).

A lacuna você preenche com onça, macaco, arara, vovô, vovó, vovô Celo, capivara, tartaruga, peixinho, ti bola e vai repetindo a frase com cada um desses sujeitos, e de novo, de novo, de novo...para nosso deleite, porque poucas coisas na vida são tão fofas quanto o biquinho que vocês faz quando fala “mimindo”.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Visita do vovô Celo

Como sua vidinha é cheia de boas surpresas, né? O começo de novembro nos trouxe a visita do vovô Orcelo ou, como você diz, uouô Celo.

Com sua tranquilidade e carinho logo, logo vocês já estavam inseparáveis.
Banhos de piscina, comidinhas muito gostosas, passeios no Parque Municipal, brinquedos de presente, churrasco, abraços e beijinhos, mas...veio aquele avião de novo e levou ele de volta pro Sul. Tudo bem, tudo bem...o Natal está aí e você vai poder reencontrá-lo! Acho que você não vê a hora, né? De vez em quando você ainda fala: uouô Celo, cadê?








quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Para se esquecer... (ou Para se guardar - parte II)


Quando faz drama pra tomar banho.

Quando faz greve de fome aos finais de semana.

Quando quer escolher a roupa que vai vestir e nenhuma está boa. Para todas que a gente mostra, a resposta é “não”, que termina num grande e fofo bico.

Quando quer ver a Galinha Pintadinha, mas nenhuma música agrada. A cada música que começa, você fala “não”. Com aquele mesmo bico fofonildo.

Quando vai a uma festa com pula-pula e fica brincando de forma radical. Você não pula, apenas, mas vai se jogando, principalmente nas laterais, e eu fico como uma louca, correndo em volta e dando gritinhos de susto a todo momento. Sinceramente: eu odeio pula-pulas...

Quando não quer sentar na cadeirinha do carro e berra, esperneia, fica com o corpinho duro e esticado, impedindo que consigamos colocar o cinto...ufa...

Na verdade, a gente sabe que mesmo essas situações vão dar saudade daqui a uns anos...e a gente quer mais é guardar pra sempre também.

Para se guardar...

Quando a gente brinca de dar gargalhada uma pra outra (e você coloca a mão na boca e vira a cabeça pra trás como se não se aguentasse de tanto achar graça).

Quando o papai está brincando com o Mickey (seu primeiro carrinho de controle remoto) e faz o carrinho andar perto de você, daí você fala (em tom de quem está chamando a atenção de um filho): “Mickey, M-i-c-k-e-y, aqui, aqui! Aqui, Mickey!”. Só que você fala “Miikê”, como se tivessem dois “is”.

Quando a gente chega em casa e você não contém sua alegria, vindo correndo na nossa direção, dando risada, abraçando ou fazendo gracinhas, como se jogando no chão e fazendo uma “ponte” pra frente, colocando a cabeça no chão.

Quando você canta: “Lua, luar, pega a Marina e me ajuda a criar”. Você fala: “Lua, uá, pega Maína aiuda iááááá” falando bem alto esse final.

Quando você fica falando: “Ajuda a Marina.” (“Aiuda a Maína”) no meio da birra.

Quando você vai acompanhando as músicas falando o final de cada verso, como, por exemplo, na música “Sapo, Cururu” e “O Peixinho vai nadando...vai nadando de mansinho...vai subindo, dá uma volta e continua o seu caminho...” que você aprender com a tivó bola.

Quando você canta, com o papai,: “Olelê, olalá, o Inter vem aí e o bicho vai pegar”. Você pára no “Olalá”, mas tá valendo... Às vezes, só de ver jogo de futebol, na TV, você já começa: “Olê, Olá...”

Quando você completa a frase da vovó: Amor da vovó que a vovó a......dolaaaaaaaa!

Quando você completa a frase do vovô: Coisa mais boniti......nhaaaaaaaa!

Quando você brinca com sua madrinha de uma ficar chamando a outra pelos apelidos:

_  Bolaaa?

_ Quêêêê...Bolinhaaaaa?

_Quêêêê...

 

Quando fica pedindo comida pro vovo Orcelo: “uouô Celo, uouô Celooo...qué uva.”

Quando me imita chamando o papai: “Picu! Picuuuu” ou “Guigo, Guigooo”, de Rodrigo.

Quando pega algo e fala: “Meu, é meu.” O bico vem no pacote.

Segundo as professoras da escolinha, você é a dançarina da sala. Dança o tempo todo e faz até coreografia...

Quando pede um “Mamazinho, mamãe? Coisa mais linda. Tem como negar?

Quando coloca seus “nenêzinhos”  pra dormir. Você os coloca no colo, na verdade quase embaixo do seu braço, e fica cantando nana, neném. Sim, você ainda ensaia um chorinho às vezes no meio dessa música...não se aguenta de tanta emoção.

Quando você dá uma de general e ordena que a gente vá pro seu quarto brincar e, detalhe, temos que sentar de determinado jeito, com as pernas cruzadas (assim, mamãe, assim...).

Quando você conversa ao telefone com algum interlocutor imaginário Tem que ser com o imaginário, pois quando há, de fato, alguém “na linha”, você fica muda, só prestando atenção e sorrindo.