sábado, 31 de março de 2012

Marina Bardot

É. Finalmente chegaram as férias da mamãe e do papai. 10 dias grudados. As férias começaram por Belo Horizonte, onde estivemos com a família e comemoramos juntos a união dos primos Igor e Virgínia.
Lá, fomos recebidos com muito carinho na casa da tia avó Eliane. Também estavam lá a bisinha, a tivó Elene, o tio Gui, a tia Sandra e.... a sua amiga escada. Você adora escadas, filha. Não pode ver um degrau que levanta os bracinhos, sem olhar pra trás, esperando alguma mão que te segure para que você suba e desça os degraus e suba e desça de novo e de novo e de novo e de novo e de novo...Ufa!
O vovô e a vovó também estavam em BH, mas ficaram no hotel. Quando chegamos, tinha uma caminha bem fofa e papinhas prontas nos esperando, além de mais presentes pelo seu primeiro aniversário. Definitivamente, essa família não existe! Ou melhor, existe sim e é nossa. Oba!
O casamento foi lindo e você, desfilando com uma fralda de pano pra lá e pra cá (a sua burca, como disse a tia avó Elenice), deu um show na recepção, que arrancou risadas até dos garçons.
Saímos de BH no domingo e fomos para o Rio. Lá, fizemos uma parada estratégica de 2 dias, quando recebemos a visita mais que especial da bisavozinha, do tio Renato e da tia Wanda. Na quarta-feira, partimos para Búzios - você, eu e papai. Você estava meio resfriadinha, mas logo melhorou e pudemos aproveitar. Lá, fomos à praia, passeamos bastante na rua das Pedras, fomos a restaurantes e curtimos um pouco a pousada também, onde você fez um amigo, o Kevin, um filhote de labrador que você amava ter medo. Queria ele por perto, mas quando se aproximavam, pedia colo cheia de aflição. É assim mesmo. Você vai se acostumar com esses seres fofos, peludos e, no caso do Kevin, bem levados.
Ah, a propósito, o título desse texto se refere à Brigitte Bardot, uma atriz e cantora francesa, reconhecida por seu talento e beleza, que se apaixonou por Búzios quando esteve no Brasil na década de 60. Ela visitou a cidade e, a partir daí, Búzios foi descoberta e tornou-se um dos pontos mais procurados no verão brasileiro. Em troca dessa mídia espontânea, BB (como Brigitte era conhecida) ganhou uma estátua de bronze em sua homenagem, na rua conhecida atualmente como Orla Bardot. Hoje, ela está com 78 anos! Mas, enfim, o que interessa aqui é outra musa, a MM, nossa musa do Madeira.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Uma saudade

Na volta de Búzios, mamãe, com um empurrãozinho do papai, criou coragem e passamos em São Pedro d’Aldeia. São Pedro também fica na região dos lagos e o vovô e a vovó têm casa lá desde que eu tinha 9 meses.
Foi lá que passamos as férias e feriados da nossa infância e adolescência e de lá temos nossas lembranças mais felizes. E, como não podia deixar de ser, foi lá também que vivemos nossas experiências mais marcantes, boas e não tão boas.
Como estamos “crescidinhos” e quase não vamos mais lá, vovô e vovó resolveram colocar a casa à venda. Eu, por exemplo, não ia desde 2007! E antes dessa ida em 2007, não ia desde...nem lembro. O tio Gui ia mais.
Até para o seu pai São Pedro é marcante, pois íamos muito pra lá no início do nosso namoro, em 2000 e pouco. Vi que ele também ficou com o coração apertado.
Portanto, essa passagem por São Pedro na volta de Búzios foi uma despedida e, ao mesmo tempo, o primeiro encontro seu com a casa e a cidade. Muitas emoções misturadas: apresentar a você esse lugar tão especial e nos despedir dele.
Mas, quando estávamos já no carro, após “honras e promessas, lembranças e histórias”, e meu coração parecia que ia explodir, vi, ou melhor, senti que você tinha feito um cocozinho daqueles. Te trocar ali no carro foi um malabarismo que, de certa forma, me ajudou a suportar o momento. Apesar do cheirinho de flores, respirei fundo e ... vamos em frente...

sexta-feira, 16 de março de 2012

Dia de festa

Antes de termos filhos, é fácil repetir algumas “verdades absolutas”, como, por exemplo, a de que é bobagem fazer festa de 1 ano, pois a criança não lembra de nada e não aproveita de tudo.
Ok, mas ao final desse 1º ano, tão intenso, você quer mais é celebrar.
Mas antes de avançar nessa história, tem um detalhe que antecedeu esse grande acontecimento: tive que descumprir uma promessa. É que, no casamento do papai e da mamãe, eu prometi que, como a festa foi no Rio, o aniversário de 1 ano do nosso primeiro filho seria no Sul. Mas quando isso se tornou realidade, vimos o quão difícil seria organizar uma festa à distância, conciliando com nosso trabalho e com sua rotina, que tem uma logística ainda pesada. Então, conversamos com o vovô Orcelo, explicamos tudo e decidimos mudar de ideia.
Decidido o local, partimos para a decisão sobre o tipo de festa. Não consegui enxergar um meio de fazer uma festinha em casa, pois não temos a família por perto, nem um apartamento um pouco maior, para podermos fazer “aquele-bolinho-em-casa-para-família-e-priminhos”. Até porque você nem tem priminhos.
Além disso, tem todos os seus amiguinhos do prédio, que já fazem parte da sua vida e não poderiam ficar de fora dessa comemoração. A decisão, então, foi fazer a festinha clássica, no salão de festas do condomínio.
Casinha de boneca foi o tema escolhido. Não foi lá a escolha mais criativa de todos os tempos, mas a decoração tinha muitos objetos iguais aos que há no seu quarto. Achei que fez todo o sentido.
Decidido o tema, fui atrás dos fornecedores e...me assustei com os valores. Pensamos novamente em mudar o tipo de festa. Novamente, pensamos que não tinha muito jeito. Então, decidimos: faremos a festa no play, como tudo o que tem direito, mas com muita atenção aos custos.
Corri atrás de vários orçamentos, negociei aqui e ali e contei com a participação mais que especial da vovó e da tivó Elene. A vovó comprou e fez as lembranças, as argolas de guardanapo e parte dos doces, e a tivó fez 90 centros de mesa! Além disso, elas participaram de todo o planejamento, me ouvindo e dando ótimas sugestões, além do apoio fundamental no próprio dia.
Com isso, fizemos uma festa linda e não gastamos nem a metade do que costumam gastar em festas infantis por essas bandas.
No grande dia, vieram quase todos os convidados. Todos se divertiram muito e você também. Você dançou bastante e acompanhou tudo com esses olhinhos azuis tão graciosos. Mas o difícil foi tirar um sorriso seu. Não sei se estava meio de pé atrás por causa do tanto de gente ou se você está se tornando uma menininha mais séria mesmo. Na hora dos parabéns, você sorriu envergonhada e ensaiou umas palminhas no final. Minha emoção nesse momento, já aliviada com o evento realizado, veio à tona. É muito, muito especial celebrar a sua vida, filha. Parabéns pra você e felicidades sempre, sempre.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Muito prazer, Papai do Céu.

Na manhã do dia 11/03, você foi batizada. Escrever esse texto levanta uma questão bem maior. Como abordar a religião com você? Poderia dizer que nesse dia você visitou a casa do Papai do Céu e recebeu o batismo, que “nos livra de todos os pecados mortais e nos torna filhos de Deus”.  Segundo a crença, “nossos pais nos deram a vida natural do corpo, mas Deus nos dá a alma. O batismo nos dá a fé e a vida divina. A Santíssima Trindade toma posse da alma e começa a nos santificar”.
Seu avô Rosaldo argumenta que acha que as crianças não deveriam ser batizadas, pois elas devem escolher sua religião quando tiverem discernimento para tal. Faz sentido, mas acho que não faz mal nenhum você partir de alguma referência.
Cabe a nós dar a você acesso ao conhecimento, educação e segurança para que você desfrute da melhor forma possível a liberdade que a idade lhe trará, fazendo, inclusive, as suas escolhas.
Seu pai e eu somos católicos, mas não temos freqüentado muito as missas. No meu caso, especificamente, considero pequeno o conhecimento que tenho sobre a minha religião, o que não é bom. Quero mudar isso. Tenho alguns questionamentos em relação à Igreja Católica, mas compartilho de muitos de seus valores, como o da fraternidade, bondade, igualdade e acredito em Jesus Cristo, que foi, independentemente de qualquer detalhe, um homem muito bom. Enfim, teremos muito tempo para conversarmos sobre esse assunto.
Voltando ao batismo, ele envolve algo muito especial: a criança passa a ganhar uma madrinha e um padrinho. São pessoas que serão ainda mais especiais na vida da criança e que são escolhidas com muito carinho pelos pais. No seu caso, seus padrinhos são a Tivó Elene e o Tio Cleiton e o seu padrinho de consagração a Nossa Senhora (a mamãe do Papai do Céu) é o tio Gui.
Os três ficaram muito felizes com o convite – sua tivó choraaaava ao telefone. E, no dia 11, estavam os três aqui, cheios de orgulho e emoção. Seu laço com os três já é naturalmente forte. Percebemos, ao longo desse seu primeiro ano, que esse laço era especialmente forte. Agora, a partir do batismo, ele ganhou ainda mais significado.
No dia do batizado, nos atrasamos para a missa anterior ao sacramento. Para falar a verdade bem verdadeira, me enrolei no horário, tentando fazer duas maria-chiquinhas em você. Que coisa feia, né? Mas foi sem querer. O padre fez algumas piadinhas no meio da missa em relação ao nosso atraso e também ao fato de você não estar ali próxima ao altar conosco (lembrando que essa não era a hora do batismo e sim da missa que antecedeu a cerimônia). Nessa hora, me deu vontade de pedir o microfone e propor um desafio: deixo a Marina aqui na frente durante toda a missa e vamos ver se o senhor não vai pedir, pelo amor desse nosso Deus, que ela volte a passear lá atrás com os vovôs (que era o que você estava fazendo). Afinal, você, como qualquer criança saudável da sua idade, é cheia de energia, graças a esse mesmo bom Deus. Mantê-la ali parada é impossível. Enfim, essa parte foi um pouco desagradável, mas ele está certo. O batismo foi uma decisão nossa e não fomos forçados a tomá-la. Sendo nossa opção, temos que nos adequar às regras da Igreja. Só acho que Jesus Cristo, no lugar do Padre, teria sido mais tolerante, sensato e piedoso nessa situação. Não teria nos exposto na frente de tantas pessoas que assistiam a missa naquele horário.
Ao final da missa, as crianças a serem batizadas e suas famílias foram para uma capela no canto da Igreja.  Durante o sacramento, que foi em conjunto com mais umas 8 crianças, o padre também comentou sobre casais não casados na igreja e sobre famílias que não frequentam sempre as missas, mas, nesse caso, não éramos o único alvo. Enfim, apesar dos comentários afiados do padre, a cerimônia foi bacana. Você ficou meio chorosa e irritada no começo – era um misto de sono, com vontade de mamar no peito, o que era impossível naquele momento, até porque meu vestido não permitia. Até que você foi acalmando e dormiu ainda no começo, permanecendo assim durante toda a cerimônia. Depois, fechamos com chave de ouro esse momento especial com um delicioso almoço no restaurante Moqueca Capixaba, onde foram, além de nós, os avós, os padrinhos, o tio Diego e um casal de amigos dele.
Depois, era correr pra casa, pois os preparativos para a festa de certa pessoinha estavam nos esperando. E todo mundo entrou na dança. Até dobrar guardanapo seu vovô Orcelo dobrou! Mas a festa já é assunto para outro texto, tá?







quinta-feira, 1 de março de 2012

Amor, amor (e sono...)


Amor

Leve, como leve pluma
Muito leve, leve pousa.
Muito leve, leve pousa.

Na simples e suave coisa
Suave coisa nenhuma
Suave coisa nenhuma.

Sombra, silêncio ou espuma.
Nuvem azul
Que arrefece.

Simples e suave coisa
Suave coisa nenhuma.
Que em mim amadurece.

É difícil definir o amor em palavras. A música acima, dos "Secos e Molhados", chegou perto. Mas quando a gente sente, ele é muito exato. Esses dias, ouvi uma gravidinha de poucas semanas comentando que seu bebê ainda era uma sementinha, mas que ela já o amava muito. É isso mesmo. E a minha vontade era dizer que ela ainda não tem idéia de até onde esse amor pode chegar.

Estou cada dia mais apaixonada por você. Vou pro trabalho e fico pensando em você todo o tempo, com vontade de te ver. Quando chego em casa, enquanto espero a Naiane - e você - virem abrir a porta, já vou guardando na bolsa ou no bolso qualquer coisa que esteja na minha mão, me preparando para pegar você nos braços e te dar aquele abraço.

Você está, a cada dia, se comunicando mais, seja com sons, olhares, gritos e até ... tapinhas (mas sobre isso a gente fala depois). É impressionante como você parece entender tudo, cada dia interagindo mais.

Adora dar mordidas (meu rosto é sempre a maior vítima), mas agora também aprendeu a dar beijinhos, além dos abraços.

E anda num grude comigo. Se eu saio de perto, para tomar banho que seja, coitado do papai, que tem que ficar quase dando cambalhotas para te distrair, se não você fica chorando dramaticamente na porta do banheiro. Isso é bom, mas é ruim. É gratificante ver que nosso vínculo é forte, mas fico imaginado que deve ser angustiante pra você não ter certeza de volta dos seus queridos quando eles se despedem.

Dizem que essa é a tal crise de ansiedade que os bebês têm a partir do momento em que percebem que eles e as mães não são uma mesma pessoa. Isso começa mais ou menos aos 8 meses. Então, sempre que a mãe ou o pai se afastam, a sensação, para vocês, é de que eles podem não voltar. Deve ser angustiante para você e imaginar essa sua angústia me angustia também. Mas, como diz sua vovó, esse é o seu aprendizado. Da nossa parte, procuramos nunca sair escondidos, te despistando. Sempre nos despedimos, por mais difícil que seja às vezes, explicando que estamos indo trabalhar e que mais tarde voltaremos.

Talvez essa sua angústia interfira em seu sono também. Você acorda muitas vezes por noite e, nesses momentos, só serve a mamãe. Se vai o papai, você chora e grita. Precisa mamar para adormecer de novo. Quando você pega no sono e eu vou te colocar no berço você acorda e chora. Parece querer terminar a noite ali nos meus braços. Às vezes, é muito cansativo para a mamãe e eu acabo te levando para nossa cama. Já li coisas boas e ruins sobre isso. Minha opção é o meio termo, entre o meu bom senso e o meu cansaço. E vamos em frente, minha amadinha!