sábado, 20 de agosto de 2011

O mundo de outro ângulo

Não podemos nos esquecer de registrar o dia em que você sentou pela primeira vez. E aí cabe uma reflexão: é difícil precisar exatamente a data desses grandes acontecimentos, pois eles são resultado de um processo. Tentativas, aperfeiçoamentos, descobertas. Até que um dia, nos demos conta de que você estava sentadinha no sofá, brincando ao lado do papai com os controles remotos da TV. Isso foi no dia 14 de agosto (Dia dos Pais).
É engraçado que nesses seus primeiros dias de menina que senta, era muito comum você ficar brincando com algo e, de repente, tombar, deitando sobre a cama ou sofá. Fofamente, como se nada estivesse acontecido, continuava brincando. Afinal, o mundo ao redor apenas virou 90º. Isso é só um detalhe. Uma bobagem! Mas aqueles botões coloridos do controle remoto, ah, aqueles botões...

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

“Eu gostaria de trilhar o caminho que leva o pensamento do meu bebê para além de todos os limites”

Ver você no seu berço, brincando com as infinitas possibilidades do seu mundinho, é um grande prazer para mim. Achei esse texto no encarte de um dos seus CDs. Faço minhas essas palavras:
“Eu gostaria de ficar num cantinho tranqüilo do mundo em que vive meu bebê. Sei que no seu mundo as estrelas conversam com ele, e o céu se inclina até a sua face para diverti-lo com suas nuvens errantes e seus lindos arco-íris. No seu mundo todas as coisas que parecem nunca falar nem se mover sobem até a sua janela, contando histórias e trazendo bandejas de brinquedos coloridos.
Eu gostaria de trilhar o caminho que leva o pensamento do meu bebê para além de todos os limites. Lá, mensageiros desconhecidos correm brincando entre os reinos dos reis sem história; lá a razão transforma suas leis em pipas e as empina ao vento; lá a verdade liberta o destino das correntes que o prendem”. R. Tagore
Me leva com você para o seu mundinho, filha?

terça-feira, 9 de agosto de 2011

A vida segue sempre em frente, o que se há de fazer...

Essa semana chega ao fim minha licença-maternidade. Fico pensando no sentido desse termo. “Com licença, mundo, que eu vou ‘descer’, vou viver minha maternidade. Estou de licença para todo o resto. Com licença que agora eu sou para a Marina”. Assim foram nossos dias. Entrega total. Acompanhada de certo medo, insegurança e muitas descobertas.  Aos 32 anos, quando você acha que já tem algum controle sobre sua vida e sobre si própria, você tem que aprender a lidar com o imprevisível, com o novo a cada dia e com um amor incontrolável. Acabada a licença, tenho que pegar o "trem" da velha rotina novamente, agora na nova condição de mãe. Mais um desafio.

Será muito, muito difícil não ficar com você todo o tempo. Durante esses cinco meses, meu tempo foi seu. Em alguns momentos, foi difícil. É cansativo. Em seus momentos menos tranqüilos, é angustiante não saber o que fazer para te acalmar. Em outros, o estoque de brincadeiras e músicas parece ter chegado ao fim e tudo o que se quer é dormir um pouco. As mamadas, por vezes, são intermináveis, e o corpo dói.  A maternidade tem um lado difícil. Mas, o outro lado da maternidade é nada menos do que a melhor coisa do mundo.

Essa licença também foi um momento de balanço. Voltada só para você e, de certa forma, para mim mesma, relembrei várias situações da minha vida. Senti saudade de pessoas e momentos que a rotina massacrante escondeu bem escondidinho aqui dentro; coloquei algumas ideias e sentimentos em ordem (tá certo que outros ficaram ainda mais de pernas para o ar).

Essa licença também fez eu redescobrir e me reaproximar de pessoas muito queridas. Ao receber visitas que vinham com o único propósito de te conhecer e de estar conosco, as saídas, as viagens, os passeios, as distrações e as cervejas davam lugar a muitas conversas. Sempre longas, francas, inteiras. Isso foi realmente muito bom.

Obrigada por tudo isso, filha.

Mas agora, um novo ciclo começa. Volto ao trabalho. Meu coração está apertado. Há um nó de marinheiro na minha garganta. Não consigo nem continuar a escrever...não há nem o que dizer...

Era uma vez...

Como você fica linda conversando. E há momentos em que você é uma verdadeira oradora. Sei que todos os bebês conversam assim nessa fase, mas eu - aqui comigo mesma - acho que nenhum fala tanto e tão bonitinho como você. Pronto, falei.  

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Muito além do sapatinho


Uma coisa eu posso te garantir, filha. Assim como dois e dois são quatro. Um dia, daqui a muitos anos, quando você tiver um bebê, pode ter certeza: quando ele estiver com sapato, haverá sempre (eu disse s-e-m-p-r-e) alguém para falar: “Ah, tira o sapatinho dele, coitado (sempre tem um coitado acompanhando)...tá tão quente”. E, sempre que ele estiver sem sapato, terá alguém para falar: “Nossa! Você não coloca sapatinhos no seu bebê!” Os autores do comentário podem ser desde um amigo ou parente até aquela pessoa que está atrás de você na fila para a vacina.
Mas isso não é nada. Como eu disse no título, os palpites vão muito além do sapatinho. As pessoas se acham no direito de dar palpite sobre tudo, ainda que você não tenha pedido a opinião de ninguém, e isso é chaaaaaato...
É bom trocar ideias. Não estou negando a importância desse intercâmbio de experiências e de informações, mas há um limite entre essa troca saudável e aquela crítica com ares de verdade absoluta a algo que é o resultado de uma decisão sua. Uma decisão que você tomou de forma responsável, após ler muito, conversar com especialistas e, principalmente, de ouvir sua intuição de mãe, que é amor puro! Certa ou errada, foi uma escolha sua. Não foi uma atitude acidental e leviana. E isso deve ser respeitado.
Enquanto isso, eu vou colocando o sapatinho e você vai tirando pelo caminho, né filha? No final, é você quem decide! ;)

Vira, vira, vira...virou.

Filha! Hoje você virou pela primeira vez. De manhã, ficamos na cama um tempo e você chegou quase lá. Na hora do almoço, você estava com a babá e nossa outra ajudante enquanto eu e seu pai almoçávamos e...aconteceu! Viva a Marina!

Essa é uma etapa importante no seu desenvolvimento, filha. Condição para você começar a se arrastar, engatinhar...

Infelizmente não vi sua primeira virada. Fiquei triste. Mas, como disse seu pai, veremos a segunda, a terceira...para sempre. E isso é o que importa. Nós duas temos o para sempre. Para sempre.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Da floresta para o mar

Dia 13 de julho de 2011: dia em que você conheceu o mar.



P.S.: Também foi o dia da primeira calça jeans! Que chique essa mocinha.

Rotina de menos. Amor e carinho de sobra.

A viagem e todos os encontros e reencontros que ela nos trouxe me fizeram pensar algo que parece óbvio, mas nem tanto: você não é, apenas, a realização do sonho do papai e da mamãe. Você é o sonho de muitas outras pessoas. A gente sempre ouve falar que filhos são para o mundo. Percebi um pouco isso nessas últimas semanas. Durante um tempo, parece que somos apenas nós, numa troca intensa e única. Mas, durante esse mesmo tempo, seus avós, tios, bisavós, tio-avós também alimentam diariamente seu amor e a expectativa por estarem com você. A mim e ao seu pai, cabe apoiar você - um ser ainda dependente - a viver essas relações, que estão muito além de nós dois.

Viajar com uma criança pequena é complicado. Fisicamente e emocionalmente. Ao ver sua rotina se alterando a cada dia (horários, sono, temperamento), ficava preocupada, pensando em como isso poderia te afetar e, ao mesmo tempo, sentindo certa saudade de nossa vidinha aqui em Porto Velho. No fim, percebi que o carinho e o amor que você recebeu nesses dias compensam qualquer alteração de rotina. Isso é o que importa. O que fica. Pro resto, a gente dá jeito.