terça-feira, 28 de setembro de 2010

Vozes de Juiz de Fora

 “Não imaginei que ainda poderia ser tão feliz nessa idade.” Bisavó Loloca
Precisa dizer mais alguma coisa? Olha quanta alegria você já nos traz.

My gift is my song

Filho/a, meu primeiro presente pra você foram 5 CDs encomendados do site a “Música que Vem de Minas” (http://www.amusicaquevemdeminas.com.br/).
1. Grupo Curupaco: Estica ... Dobra ...cantigas e brincadeiras
2. Grupo Curupaco: O Vôo do Pterodáctilo
3. Nave dos Sonhos: as mais belas cantigas de roda
4. Marcus Viana: Sonhos de bebê
5. A Nave dos Sonhos: As Mais Belas Canções de Ninar

Espero que você goste!

domingo, 26 de setembro de 2010

Porto Velho, Porto Velho, Porto Velho...

Lado A: o céu mais lindo e bons amigos. Uma casinha fofa e um trabalho que nos realiza. A Amazônia e suas águas. Novas e ricas referências.
Lado B: uma distância de casa que nos aperta o coração, um calor ora muito muito seco ora muito muito úmido. Muito improviso. Muito amadorismo. Um serviço de saúde realmente falho.
Mas é aqui que eu e seu pai estamos. Porto Velho nos trouxe a possibilidade de ficarmos juntos e criou o melhor momento pra você chegar! Sair daqui "aos 45 do 2º tempo" para que você nasça no Rio ou em outro lugar é arriscado e, além disso, prejudicaria a convivência com seu pai em seus dois primeiros meses. Isso porque teríamos que esperar esse tempo até pegar o avião de volta e, enquanto isso, seu pai teria que estar em Porto Velho trabalhando, sem poder te ver diariamente. E isso não tem preço.
Gravidez não é doença. Muitas pessoas têm filhos em táxis, na beira do rio. Não desejo nem uma coisa, nem outra. Mas confesso que, para mim, tem lado bom sair, nesse momento, da região sudeste e dessa indústria meio neurótica do parto: grifes de doulas e de obstetras. Sou optante pelo simples. Acho que tudo sempre pode ser mais simples. Prefiro o parto normal, mas ... sem dramas e fanatismo. Uma das razões que me fizeram escolher a minha médica aqui é sua preferência por partos humanizados. Porém estarei preparada para uma cesárea se essa for a opção mais normal no momento. Sem dramas. 
O Rodrigo ainda resiste mais ao fato de seu/sua filho/a levar no documento a informação “natural de Porto Velho”. Minha avó paterna, no auge de sua sabedoria, aos 96 anos e sem saber dessa animosidade do Rodrigo em relação à cidade, nos mandou uma cartinha linda, na qual profetiza:
Rio, 15 de agosto de 2010.
Minha muito querida neta Juliane,
Comprei e mandarei mais tarde um par de sapatinhos vermelhos para a ou o porto velhense, que nascerá na região mais linda e cobiçada do mundo. Dizem que sapatinho vermelho dá sorte. Quando comecei a conhecer o mapa do Brasil, fiquei encantada com a Amazônia: os seringais, os afluentes do rio Amazonas etc. Numa excursão de 5 dias, percorri com teu avô Renato toda essa encantada região.
Já pensou quando o neném crescer e dizer com orgulho: nasci na Amazônia, em Porto Velho. Sou porto velhense. É lindo demais. Que N. S. acompanhe tua gestação. Tudo corra com prazer e felicidade e o nosso querido Rodrigo esteja muito orgulhoso com o neném que irá ganhar...
...Abraços ao nosso Rodrigo, mais abraços e beijos para você e meu bisneto ou bisneta.
Que Deus, o Todo Poderoso, os abençoe.
Vozinha

Mais sobre o seu pai

Futebol pra ele é coisa séria. Ele é INTERNACIONAL. Você não imagina em que nível! Menino ou menina, você vai realizar isso em seus primeiros anos de vida. Agora ele está aqui gritando: Inter 3 x 2 Corinthians. Seu quarto vai ser um pouco colorado, eu acho.

Seu pai

No feriado de 7 de setembro, conseguimos emendar os 4 dias e fomos para Alter do Chão, no Pará. Um lugar belíssimo, com muitas praias de água doce - as águas do rio Tapajós. Na altura dessa vila, o rio tem 9 Km entre uma margem e outra. Em outros pontos, no entanto, essa distância chega a 18 Km! Parece o mar. Um mar de água doce, infinita, calma, transparente e morna. Foram dias muito bons, de descanso e contemplação.
A voadeira nos levou a lugares incríveis. Em um deles, chamado Ponta do Cururu, pudemos ficar em pé bem no meio desse rio tão grande. É porque, ali, havia um banco de areia, de onde vimos o pôr do sol e de onde tentamos ver alguns botos. Apenas tentamos, pois acho que nesse dia, eles estavam se preparando para galantear as donzelas de Santarém (um dia te conto a lenda dos botos, filho/a. É uma lenda daqui da região onde você vai nascer. Mas essa é outra história).
Também alugávamos caiaques duplos e só seu pai remava, afinal, sou uma gestante e isso tem significado, na prática, uma porção de regalias. Seu pai remava muito e levava a gente pra bem longe. Eu ficava com um pouco de medo. Imagina se tivesse jacaré ali! Jacaré é um bicho legal pra ter de pelúcia. Mas não é legal ver de perto.
Seu pai ficava muito preocupado de eu estar passando esse medo pra você. Ele não quer que você seja medroso/a, filho/a. Ficava falando: “Bah (depois você vai saber o que é Bah), tu não pode ficar com esse medo. Pode passar pra criança!”
Seu pai é uma figurinha.
E eu gosto muito dele.
Gosto sem medos (mesmo quando ele leva a gente pra perto do jacaré).










Seus avós

Não me lembro de ter passado um aniversário longe dos meus pais. Eles sempre dão um jeito de estarem comigo, esteja eu onde estiver. Este ano não foi diferente. Ou melhor, foi muito diferente, pois não eram só meus 32 anos que estavam sendo comemorados. Isso era o de menos. Também estávamos juntos, celebrando você. Foram dias muito bons, como sempre. E o sofrimento na hora da despedida não teve tamanho. Como sempre também. No final do dia em que eles foram embora, quando consegui parar de chorar um pouco, me surpreendi com um bilhete deles dentro do livro que estava lendo. Não teve jeito. O choro veio de novo:
“03/08/10
Ju/Rodrigo,
A única certeza que tínhamos quando saímos daqui no ano passado era a de que voltaríamos no seu próximo aniversário (caso você não fosse viajar ou não tivesse outro programa melhor do que nos aturar).
Não podíamos imaginar, no entanto, que comemoraríamos e, principalmente, compartilharíamos outras alegrias e emoções.
No Café Madeira, tinha o convidado mais especial do mundo, escondidinho, vendo tudo pelos seus olhos e pensando: “no ano que vem estarei também nessa farra, tomando um porre de leite e rindo, rindo muito por ter sido premiado com essa mãe, esse pai, essa família!”
Obrigado mais uma vez pela acolhida e pela oportunidade de vivermos juntos um pouco dessa tão esperada gestação.
Beijos de seus pais e até a próxima. Conte sempre conosco, filhos.
Um abraço para o Diego, protagonista importante nessa nossa estada, companheiro de filmes e futebol”.

Menino ou menina?

Tem pãozinho no forno. Será menina ou menino?
Preferências? Nenhuma, desde que venha com saúde.  Essa frase disputa o posto das mais originais com aquela outra: “saúde é o importante, o resto a gente corre atrás”.
Mas, de fato, as preferências de antes de a gravidez se tornar real desaparecem mesmo, e a saúde é o que mais importa. Mas a nossa imaginação tem gênero. É inevitável imaginarmos um bebê menino ou menina.
No meu caso, isso varia de acordo com a semana. Há semanas em que só vem menino à cabeça, até em sonhos. Em outras, fico me policiando para não usar o artigo “a” quando me refiro ao bebê. E isso já traz uma culpinha.
Mas... dia 4 de outubro está aí e, então, saberemos se é um pequeno ou uma pequena que dorme aqui dentro, esperando a vida chegar.

E por falar em barriga...

Minha barriga ainda precisa crescer um tantinho para que ela comece a ser algo novo no meu biotipo. Afinal, sempre tive uma “barriguinha" (como vocês podem ver abaixo). Por que ela não desponta logo? Esse meio do caminho é complicado.
E todo mundo se sente no direito de colocar as mãos na sua barriga. E os que não estão a um braço de distância, querem fotos. Muitas fotos. Só que essa barriga tão disputada ainda é um pouco bebê e um poucão aquele prato de massa que você não resistiu na noite passada.
Sem contar que minhas calças, saias e bermudas começam a não caber mais. Alguns botões já têm que ficar abertos, e as calças para gestantes ainda ficam “sambando”em mim.
Ufa! Vem logo, barrigão e me tira dessa situação!!!!

Abaixo,  uma foto que prova que a barriga sempre fez parte da minha vida e outras duas do último domingo (26/09), com barriguinha de quase 4 meses.


Naturalmente

De repente, outra surpresa. Sem que você perceba, tudo vai mudando mesmo, só que n-a-t-u-r-a-l-m-e-n-t-e.
Aquele tudo o que não será mais (a liberdade total, a falta de horários, a cerveja com amigos...) já não tem mais importância como falta. Ocupa seu lugar, sem dramas. E aí, é só alegria. Que vai crescendo junto com a barriga.  Que delícia!

5 semanas e meia: um susto e a segunda ultra (a mais feliz de todas)

Pro meu/minha filho/a:
Essa história aconteceu dez dias depois de saber que estava grávida, 1 dia depois da 1a ultra, 1 dia depois de contar para os amigos e restante da família e às 5 semanas e meia de gravidez. Estava saindo do escritório com a Ana, era uma 5ª feira (22/07), mais ou menos 20h30, e fomos andando até a outra esquina, onde meu carro estava estacionado. Seu pai ficou no escritório. Ia voltar de moto e estava saindo em seguida.
No caminho entre a portaria do prédio e o carro, sofremos uma tentativa de assalto. No auge da minha “sabedoria e equilíbrio”, tive a “melhor” das reações: gritei e saí correndo de volta em direção ao escritório. Os dois larápios de moto devem ter se assustado e fugiram também. Cada um para um lado. Deviam ser assaltantes de primeira viagem e meu (nosso) anjo da guarda não estava de bobeira. Nessa minha “fuga espetacular”, caí de barriga no chão.
Meu nervoso pelo assalto se multiplicou. Como estaria você? De volta ao escritório, muito choro, tremedeira, e o carinho e amparo do seu pai e dos colegas que ainda estavam ali. Ligamos para a médica que pediu para eu ir para o Hospital 9 de Julho, onde me encontraria em alguns minutos. Disse que, lá, eu deveria fazer uma ultra e ficar internada, em observação.
Chegando ao hospital, não tinha vaga para internação e também não tinha nenhum ultrassonografista ao dispor. Essa é Porto Velho (detalhe: é o melhor hospital da cidade). Meu gerente e o gerente de Saúde e Segurança, a essa altura, estavam empenhados em achar um local onde eu pudesse fazer a ultra.
Ficar “correndo atrás” de ultra na madrugada não ia me ajudar muito. Ao contrário, minha frustração e nervosismo só aumentariam. Minha médica disse que, a essa altura, seria melhor eu aguardar até o dia seguinte, pois os efeitos da queda já teriam se manifestado e os efeitos do meu nervosismo só no dia seguinte apareceriam. Fui pra casa e consegui relaxar e dormir. Ao longo da noite, acordava de tempo em tempo, ansiosa até ter certeza de que não havia nenhum sangramento.
Pela manhã do dia seguinte, finalmente a ultra. Quanta ansiedade e quanta alegria ao vê-lo pela primeira vez. Muito choro e emoção. Dois dias antes, tinha feito a primeira ultra, na qual só tinha sido possível ver o saco gestacional. E, nessa, você já estava lá. Um pequeno ponto, mas que significava muito pra mim, ainda mais depois do susto. Não foi possível ouvir seu coração, pelo tempo de gestação, mas foi possível identificar as batidas. A ultrassonografista ficou impressionada de já ter sido possível identificá-las. Acho que você fez esse esforcinho, só para me deixar mais tranqüila.
Estava tudo bem com você. E, comigo, nada mais poderia estar ruim.
Depois, quando eu e seu pai chegamos ao trabalho, mais alegria. O alívio dos amigos, flores para nós e muita comemoração.
É incrível como meus sentimentos por você são cada dia mais exatos.

Caramba!

Caramba! Fico pensando que não há nada tão comum no mundo (em termos quantitativos) do que uma gestação, mas quanto susto e insegurança ela pode nos trazer! Caramba!
Caramba é a palavra que mais pronuncio e penso nessa primeira semana de “mãe”. É. Agora a brincadeira acabou. Agora é de verdade.
Acho que não há planejamento que nos poupe desses sentimentos tão confusos.
Mas, no meio disso tudo, há uma certeza avassaladora, que vem sem que você a procure. É em relação à sua saúde e ao seu corpo, que nos próximos 9 meses - e durante todo o período de amamentação - será uma espécie de templo. Em relação a ele, não há mais dilema ao escolher entre a água ou o refrigerante. A decisão é simples. Não há mais preguiça na hora de descascar um abacaxi, mesmo quando se está atrasada para o trabalho. As escolhas são exatas.
E entre um suco e outro, você vai se dando conta de tudo o que vai mudar, de tudo o que ainda precisa ser decidido, de tudo o que não será mais, de todo o novo e desconhecido que será daqui pra frente...
E, como pano de fundo, essa explosão hormonal, que traz tanto sono (da onde vem esse sono, meu Deus!), tanto xixi (felizmente, no meu caso, não me trouxe enjôos), além de surtos de tristeza, pois tudo o que ainda parece meio fora do lugar na sua vida toma proporções dramáticas. E você começa a repensar, também, o que parecia estar no lugar.
Assim foram meus primeiros 2 meses de “mãe”. Que venham os próximos!

Você veio

A gente espera, planeja, faz conta, muda um tanto de coisa na nossa vida, espera mais um pouco, faz um pouquinho mais de conta e, no meio de tantas análises, um belo dia (depois de 1 década sem esquecer a pílula 1 diazinho sequer) você percebe que esqueceu de tomá-la nos últimos TRÊS dias!!!! Esse é o nosso inconsciente, que não planeja tanto, não faz tanta conta, não racionaliza demais e que ... decidiu. É. Está na hora.
Só que, então, você entende que não é só a sua cabeça que decide se está na hora ou não. Nem tudo está no seu controle. Nem tudo estava esperando, apenas, a sua tomada de decisão. Pode demorar 1 mês ou 1 ano para seus planos - tão planejadinhos - se concretizarem. E você se pergunta: por que eu fui avaliar e esperar tanto assim, se ainda tinha que contar com o imprevisível? E esse reloginho da mulher? Por que tem que ser tão cruel?
Mas, então, 3 meses depois, você veio! A palavra “positivo” no resultado do exame estava lá, "derrubando o mundo inteiro". Deu certo. "Agora, o tempo pode passar...Você já é o primeiro lugar!"