Pro meu/minha filho/a:
Essa história aconteceu dez dias depois de saber que estava grávida, 1 dia depois da 1a ultra, 1 dia depois de contar para os amigos e restante da família e às 5 semanas e meia de gravidez. Estava saindo do escritório com a Ana, era uma 5ª feira (22/07), mais ou menos 20h30, e fomos andando até a outra esquina, onde meu carro estava estacionado. Seu pai ficou no escritório. Ia voltar de moto e estava saindo em seguida.
No caminho entre a portaria do prédio e o carro, sofremos uma tentativa de assalto. No auge da minha “sabedoria e equilíbrio”, tive a “melhor” das reações: gritei e saí correndo de volta em direção ao escritório. Os dois larápios de moto devem ter se assustado e fugiram também. Cada um para um lado. Deviam ser assaltantes de primeira viagem e meu (nosso) anjo da guarda não estava de bobeira. Nessa minha “fuga espetacular”, caí de barriga no chão.
Meu nervoso pelo assalto se multiplicou. Como estaria você? De volta ao escritório, muito choro, tremedeira, e o carinho e amparo do seu pai e dos colegas que ainda estavam ali. Ligamos para a médica que pediu para eu ir para o Hospital 9 de Julho, onde me encontraria em alguns minutos. Disse que, lá, eu deveria fazer uma ultra e ficar internada, em observação.
Chegando ao hospital, não tinha vaga para internação e também não tinha nenhum ultrassonografista ao dispor. Essa é Porto Velho (detalhe: é o melhor hospital da cidade). Meu gerente e o gerente de Saúde e Segurança, a essa altura, estavam empenhados em achar um local onde eu pudesse fazer a ultra.
Ficar “correndo atrás” de ultra na madrugada não ia me ajudar muito. Ao contrário, minha frustração e nervosismo só aumentariam. Minha médica disse que, a essa altura, seria melhor eu aguardar até o dia seguinte, pois os efeitos da queda já teriam se manifestado e os efeitos do meu nervosismo só no dia seguinte apareceriam. Fui pra casa e consegui relaxar e dormir. Ao longo da noite, acordava de tempo em tempo, ansiosa até ter certeza de que não havia nenhum sangramento.
Pela manhã do dia seguinte, finalmente a ultra. Quanta ansiedade e quanta alegria ao vê-lo pela primeira vez. Muito choro e emoção. Dois dias antes, tinha feito a primeira ultra, na qual só tinha sido possível ver o saco gestacional. E, nessa, você já estava lá. Um pequeno ponto, mas que significava muito pra mim, ainda mais depois do susto. Não foi possível ouvir seu coração, pelo tempo de gestação, mas foi possível identificar as batidas. A ultrassonografista ficou impressionada de já ter sido possível identificá-las. Acho que você fez esse esforcinho, só para me deixar mais tranqüila.
Estava tudo bem com você. E, comigo, nada mais poderia estar ruim.
Depois, quando eu e seu pai chegamos ao trabalho, mais alegria. O alívio dos amigos, flores para nós e muita comemoração.
É incrível como meus sentimentos por você são cada dia mais exatos.