Desta vez foi a tia Eliane. Ela
passou uma semana conosco e, já no primeiro dia, você não queria saber de mais
ninguém. Um grude só. Você não saia do colinho dela nem enquanto ela fazia as
refeições.
Titia, titia, titia...era o que
se ouvia pela casa nessa semana em que ela ficou conosco. Ela te deu toda a
atenção e carinho possíveis e recebeu em troca muito amor e gracinhas. Humm,
que dia será que vocês vão se encontrar de novo, heim?segunda-feira, 20 de agosto de 2012
Visita da titia Eliane
As companhias aéreas também devem
adorar você. Afinal, o que tem de gente cruzando os céus do Brasil para te ver!
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
Mamãe, "mamá"?
Marina, Marininha, e não é que a
amamentação acabou se tornando uma questão pra nós? Mamadas constantes, em
qualquer hora e lugar, às vezes aflitas, às vezes urgentes, às vezes com
intervalos bem menores que 30 minutos. É, não está bom pra mim e acho que,
apesar de parecer o contrário, pra você também não.
Nas vezes em que digo que não é o
momento, negando a dar de mamar, você reclama e esperneia. E eu fico sem chão.
Cheia de dúvidas e culpa. Muitas vezes eu consigo negar, mas são tantas e
tantas solicitações por dia que em outras tantas vezes (a maioria delas) eu
concedo. E, depois de viver algumas negativas, você parece mais aflita. A
impressão é que, em alguns momentos, você mama só por garantia, lutando pela
manutenção de sua condição de lactante.
E, quanto mais vira uma questão,
mais difícil é, pra mim, lidar com isso, pois penso tanto no assunto que perco
o distanciamento. Já não tenho clareza. Já não sei se, quando e como devo negar e, se decido negar, já
não tenho tranquilidade e firmeza para lhe explicar que “não, agora não é
hora”. E isso só te causa mais confusão, certo? Mensagens confusas, reações
confusas. É a lei da ação e reação.
Sei que todos os hábitos que
tentamos mudar em nossos filhos foram criados por nós mesmos. Em algum momento
da nossa história, você começou a mudar sua relação com a amamentação e, por
ser mais cômodo, no meio do cansaço, fui deixando. Agora fica tudo mais difícil,
e o comodismo se mistura com o não saber mais o que é certo e o que é errado. É
sempre tão desgastante quando digo que agora não dá que sempre penso duas vezes
antes. Pesquisando e conversando por aí, consigo identificar 4 perspectivas
diferentes sobre o tema:
- Uns dizem que mamar bastante ainda nessa idade é o natural da espécie humana, sem interferências sociais e culturais. Observei nesse último final de semana, em trabalhos que fiz em comunidades rurais, que é exatamente assim: crianças de 1, 2, 3 anos, mamando no peito entre uma brincadeira e outra. Simples assim. Natural. Sem grandes questões, sem grandes reflexões. Essa é, também, a linha de um grupo de psicólogos e mães. Deixar todas as vezes que a criança quiser, até ela não querer mais. Sem traumas.
- Em contato com o grupo “Amigos do Peito”, ouvi outro ponto de vista: a partir de 1 ano mais ou menos, a amamentação “legal” é aquela que está boa para mãe e filho. Não sejamos hipócritas: mães podem, sim, sentir falta de sua cervejinha, do café, do que quer que seja; mães podem, sim, achar bem cansativa a amamentação, principalmente nas horas em que temos um mundo de coisas para fazer e os filhos, gentilmente, decretam que, agora, o mundo tem que esperar (na verdade, esse aspecto tem um lado bem positivo: o mundo para mesmo nessa hora e você vê que poucas coisas na vida são tão urgentes). Mas, voltando: para as que querem desmamar, o grupo “Amigas do Peito” indica a técnica da amorização, que consiste em, assim que a criança dormir, conversar com ela, apenas com frases afirmativas, sobre o quanto você a ama, que ela já está grandinha, que vai tomar muito suquinho e comer comidinhas gostosas no lugar do “mamá”, que vocês continuarão sempre juntinhas e que tudo será bom etc, etc, atingindo o inconsciente da criança. Penso que o dela e o nosso também, de mães que querem e não querem interromper a amamentação.
- Pediatras dizem que devemos manter a amamentação até quando a criança quiser, mas educando-a em termos de horário e local. Dizem que peito de menos é ruim e de mais também e associam isso aos limites (ou falta deles) com os quais a criança está crescendo. O problema é que negar, por mais que pareça fazer todo o sentido numa conversa com psicólogos e pediatras, na hora H me soa como rejeição. Será que pra você também? Seu choro desesperado nessas horas é meio ou resultado. Meio para me impressionar, me cansar, me chantagear até eu ceder ou resultado de frustração, insegurança, tristezinha.
- Outros já acham que essa questão de trauma causado por desmame abrupto é bobagem. E aconselham a colocar produtos com gosto ruim no peito. Assim você não precisa se desgastar negando nada. A criança se desinteressa por si própria. Mas penso que isso é uma espécie de mentira e que a criança, de repente, passará a ter uma referência ruim associada a algo que sempre foi fonte de segurança, prazer e afeto e, como muitos dizem, é a forma como ela se relaciona com o mundo. Trauma por trauma, se eu tivesse feito isso há mais tempo, não estaria evitando outros traumas que podem estar sendo causados agora, no meio de tanta incerteza e atitudes hesitantes? Não sei responder.
De tudo isso, fico mais inclinada
pelas opiniões do grupo “Amigas do Peito” e pela dos pediatras. Mas, agora, por
exemplo, estou a alguns minutos de ir buscar você na escolinha. Venho tentando
cortar a mamada que costumava acontecer assim que eu te pego, na própria
escolinha ou no carro. Ontem essa negativa gerou um verdadeiro escândalo da sua
parte que durou todo o trajeto escola-casa. E agora? Não faço a menor ideia do
que farei daqui a 10 minutos.
terça-feira, 7 de agosto de 2012
Diversão ainda que à tardinha
Quando, em função da mudança das babás, decidimos que eu anteciparia minhas férias de julho para junho e ficaria aqui em Porto Velho, já tínhamos comprado as passagens para o Sul. Cancelamos a minha e a sua, mas o papai manteve os planos, para matar a saudade do vovô e de toda a família lá do Sul. Ou seja, ficamos nós duas aqui por 13 dias. Solitas.
Foi especial e difícil. Seu pai estar aqui ou não faz muita diferença, faz toda
diferença, pois ele é, de fato, meu parceiro nos cuidados com você. Não só nos
cuidados, mas no carinho e na atenção. Tudo correu bem. Levamos nossa vidinha,
nos divertimos, aproveitamos muito uma da outra. Vivemos momentos muito
especiais e outros difíceis, pois a rotina era pesada, física e emocionalmente,
afinal você ainda estava na fase de adaptação à escolinha e eu já tinha voltado ao
trabalho: acorda cedo, trabalho, casa, almoço, mochila Marina, ida pra
escolinha, choro, despedida, culpa, dúvidas, coração dilacerado, mais
trabalho, escolinha, reencontro, resistência em sentar na cadeirinha do carro,
chegada em casa, banho, jantar (ou não), brincadeiras sem fim, cansaço, sono
agitado, cheio de interrupções. E tudo de novo. E de novo. E de novo. Fora os
avulsos - nova picada de inseto, corrida pro médico... Ufa!
Você é tudo pra mim, filha. A
minha vida. Quando eu olho pra dentro de mim, é só você que eu vejo. Mas, apesar
de toda a alegria que você me dá (até porque uma coisa não tem nada a ver com a
outra), no final dessa jornada, o cansaço veio me visitar. Na véspera de o seu
pai chegar, não consegui levantar da cama: pressão baixa, fraqueza, enjoo. Umas
10h da manhã, consegui ir ao médico. Fiz alguns exames. Tudo indicava que era
fadiga mesmo, falta de sono. Tomei soro com complexo B e vitaminas e melhorei.
Mas nesse dia, não fui ao trabalho. No dia seguinte, papai chegou e, aí, foi só
alegria. Saudade aplacada, amor transbordando, energias recarregando... E, 3
dias depois, nada menos que uma mudança de apartamento nos esperava! E vamos
que vamos.
Mas, a respeito do título desse
texto, quero registrar que, durante esse período, principalmente no primeiro
final de semana, ficamos muito na companhia das nossas amigas Ana, Mari e
Carol. Almoços, conversas, apoio e muito carinho foi o que trocamos nesses
dias. Mas no domingo (15), o cansaço estava daqueles. Você dormiu pouco, e o
dia se arrastou. Eu estava sem graça, sem energia. Mas, no finalzinho do dia,
descemos para levar o lixo lá fora. Fui pelo elevador desejando que o parquinho
estivesse com boas companhias. Nada. Não tinha ninguém. Fomos até lá fora,
deixamos o lixo e, nesse intervalo, adivinha? Chegaram as boas companhias. E o
entardecer encheu nossos corações de uma fresca alegria. As brincadeiras das
crianças e conversas dos pais deram lugar a cantoria e danças de crianças e adultos.
Você, a mais novinha, ficou no centro da roda, fazendo mil gracinhas e
coreografias. Encantou a todos com sua alegria. Essa alegria que vence o
baixo-astral e dá sentido a qualquer domingo.
domingo, 5 de agosto de 2012
Coisas da vida
Filhota, quanta coisa tem
acontecido e eu adiando os registros. Coisa feia, né? Às vezes, a gente perde
mesmo o controle, e as coisas não saem tão certinhas. Tenho ouvido muito que a
gente não tem que ser tão certinha o tempo todo. Enfim, mas isso é outra
história. De qualquer forma, não será aqui e nem com você que vou gastar minha
cota de não-certinha. Então, vamos correr atrás do prejuízo.
Bom, desde abril, as coisas
começaram a mudar lá em casa. A Naiane, sua babá, passou no vestibular para um
curso cujas aulas são à tarde e à noite e, portanto, a partir de agosto, não
poderia mais continuar conosco.
A Naiane é positivamente inquieta,
cheia de talentos e sem medo da vida. Sabia que não ia “esquentar cadeira”
muito tempo lá em casa. A faculdade foi apenas um fator deflagrador.
Bom, independentemente disso,
minha primeira reação foi tentar mantê-la, ainda que por meio período. Mãe é
assim, sabe o que é bom para seus filhos. Aqui dentro sempre soube que o alto
astral, a espontaneidade, o carinho, o jeito, a alegria, a energia, a
responsabilidade e a leveza da Naiane não são fáceis de encontrar por aí. Por
isso não me arrependo, nem por um minuto, da grande confusão que eu arrumei
tentando mantê-la. Foi um verdadeiro jogo de xadrez, no qual você era a única
que, definitivamente, não poderia sair perdendo. A questão é que, como num jogo
de xadrez, cada peça movimentada influencia tudo a sua volta. No nossa caso, influenciava
na vida da Sidilene (nossa empregada doméstica), da Nilza (possibilidade de nova
babá), de um possível novo empregador para a Sidilene ...Ufa! “Carpinteira do
universo inteiro eu sou” - tola e desgastante pretensão essa minha. Enfim,
considerei todos os aspectos, cruzei possibilidades e transformei a questão em
algo que me trouxe muita angústia. No final, ficamos com uma nova babá e uma nova
empregada doméstica. No último dia da Naiane, 18 de maio, chorei como criança. E
aconteceu algo cada vez mais raro naquela época: apaguei e você dormiu
calmamente com o papai. E vamos em frente.
A partir dali, tínhamos 1 mês até
a nova babá poder começar. Metade desse período, a super vovó ficou conosco, e
a outra metade foi comigo mesma. Mudei os planos das férias e fiquei os 20 dias
aqui, com você. As duas últimas semanas das minhas férias já coincidiram
(propositadamente) com o início da nova babá, a Nilza. Pude observar seu jeito
e passar todas as orientações. Responsável, profissional, correta, mas falta um
calor humano, falta um sentar no chão para brincar e se divertir com você,
falta um sorriso no rosto. Falta um capricho, um algo a mais. Ai, ai, ai, a
questão ainda estava longe de encerrar. O que fazer agora?
A solução encontrada
foi matricular você na escolinha por meio-período (tarde), para garantir uma
dose de atividades direcionadas e de diversão na sua vidinha, afinal, brincar é
sua única e nobre obrigação agora. Com isso, tivemos que dispensar a nova empregada doméstica que, por sinal, era muito boa. A Nilza ficava com você de manhã e cuidava da casa à tarde. E assim ficou sendo por dois meses. Mas as
coisas ainda não estavam do jeito que eu gostaria. Meu coração ainda não tinha
acalmado. Por mais que eu tivesse combinado com a Nilza de ficar com você de
manhã e cuidar da casa à tarde, ela adiantava coisas da casa de manhã (devia
ter lá seus motivos), mas o fato é que não dedicava atenção exclusiva a você. Conclusão: novas
mudanças. Passamos você para a escolinha no período da manhã. Mesmo assim nossa
rotina ainda não estava boa como eu sei que pode ser. Como era antes.
O final
dessa novela? Ainda não acabou. Ainda não estou sossegada. Aguardem as cenas
dos próximos capítulos!
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