quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Mamãe, "mamá"?


Marina, Marininha, e não é que a amamentação acabou se tornando uma questão pra nós? Mamadas constantes, em qualquer hora e lugar, às vezes aflitas, às vezes urgentes, às vezes com intervalos bem menores que 30 minutos. É, não está bom pra mim e acho que, apesar de parecer o contrário, pra você também não. 

Nas vezes em que digo que não é o momento, negando a dar de mamar, você reclama e esperneia. E eu fico sem chão. Cheia de dúvidas e culpa. Muitas vezes eu consigo negar, mas são tantas e tantas solicitações por dia que em outras tantas vezes (a maioria delas) eu concedo. E, depois de viver algumas negativas, você parece mais aflita. A impressão é que, em alguns momentos, você mama só por garantia, lutando pela manutenção de sua condição de lactante.

E, quanto mais vira uma questão, mais difícil é, pra mim, lidar com isso, pois penso tanto no assunto que perco o distanciamento. Já não tenho clareza. Já não sei se, quando e como devo negar e, se decido negar, já não tenho tranquilidade e firmeza para lhe explicar que “não, agora não é hora”. E isso só te causa mais confusão, certo? Mensagens confusas, reações confusas. É a lei da ação e reação.

Sei que todos os hábitos que tentamos mudar em nossos filhos foram criados por nós mesmos. Em algum momento da nossa história, você começou a mudar sua relação com a amamentação e, por ser mais cômodo, no meio do cansaço, fui deixando. Agora fica tudo mais difícil, e o comodismo se mistura com o não saber mais o que é certo e o que é errado. É sempre tão desgastante quando digo que agora não dá que sempre penso duas vezes antes. Pesquisando e conversando por aí, consigo identificar 4 perspectivas diferentes sobre o tema:
  • Uns dizem que mamar bastante ainda nessa idade é o natural da espécie humana, sem interferências sociais e culturais. Observei nesse último final de semana, em trabalhos que fiz em comunidades rurais, que é exatamente assim: crianças de 1, 2, 3 anos, mamando no peito entre uma brincadeira e outra. Simples assim. Natural. Sem grandes questões, sem grandes reflexões. Essa é, também, a linha de um grupo de psicólogos e mães. Deixar todas as vezes que a criança quiser, até ela não querer mais. Sem traumas.
  • Em contato com o grupo “Amigos do Peito”, ouvi outro ponto de vista: a partir de 1 ano mais ou menos, a amamentação “legal” é aquela que está boa para mãe e filho. Não sejamos hipócritas: mães podem, sim, sentir falta de sua cervejinha, do café, do que quer que seja; mães podem, sim, achar bem cansativa a amamentação, principalmente nas horas em que temos um mundo de coisas para fazer e os filhos, gentilmente, decretam que, agora, o mundo tem que esperar (na verdade, esse aspecto tem um lado bem positivo: o mundo para mesmo nessa hora e você vê que poucas coisas na vida são tão urgentes). Mas, voltando: para as que querem desmamar, o grupo “Amigas do Peito” indica a técnica da amorização, que consiste em, assim que a criança dormir, conversar com ela, apenas com frases afirmativas, sobre o quanto você a ama, que ela já está grandinha, que vai tomar muito suquinho e comer comidinhas gostosas no lugar do “mamá”, que vocês continuarão sempre juntinhas e que tudo será bom etc, etc, atingindo o inconsciente da criança. Penso que o dela e o nosso também, de mães que querem e não querem interromper a amamentação.
  • Pediatras dizem que devemos manter a amamentação até quando a criança quiser, mas educando-a em termos de horário e local. Dizem que peito de menos é ruim e de mais também e associam isso aos limites (ou falta deles) com os quais a criança está crescendo. O problema é que negar, por mais que pareça fazer todo o sentido numa conversa com psicólogos e pediatras, na hora H me soa como rejeição. Será que pra você também? Seu choro desesperado nessas horas é meio ou resultado. Meio para me impressionar, me cansar, me chantagear até eu ceder ou resultado de frustração, insegurança, tristezinha.
  • Outros já acham que essa questão de trauma causado por desmame abrupto é bobagem. E aconselham a colocar produtos com gosto ruim no peito. Assim você não precisa se desgastar negando nada. A criança se desinteressa por si própria. Mas penso que isso é uma espécie de mentira e que a criança, de repente, passará a ter uma referência ruim associada a algo que sempre foi fonte de segurança, prazer e afeto e, como muitos dizem, é a forma como ela se relaciona com o mundo. Trauma por trauma, se eu tivesse feito isso há mais tempo, não estaria evitando outros traumas que podem estar sendo causados agora, no meio de tanta incerteza e atitudes hesitantes? Não sei responder.
De tudo isso, fico mais inclinada pelas opiniões do grupo “Amigas do Peito” e pela dos pediatras. Mas, agora, por exemplo, estou a alguns minutos de ir buscar você na escolinha. Venho tentando cortar a mamada que costumava acontecer assim que eu te pego, na própria escolinha ou no carro. Ontem essa negativa gerou um verdadeiro escândalo da sua parte que durou todo o trajeto escola-casa. E agora? Não faço a menor ideia do que farei daqui a 10 minutos.

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