Filhota, quanta coisa tem
acontecido e eu adiando os registros. Coisa feia, né? Às vezes, a gente perde
mesmo o controle, e as coisas não saem tão certinhas. Tenho ouvido muito que a
gente não tem que ser tão certinha o tempo todo. Enfim, mas isso é outra
história. De qualquer forma, não será aqui e nem com você que vou gastar minha
cota de não-certinha. Então, vamos correr atrás do prejuízo.
Bom, desde abril, as coisas
começaram a mudar lá em casa. A Naiane, sua babá, passou no vestibular para um
curso cujas aulas são à tarde e à noite e, portanto, a partir de agosto, não
poderia mais continuar conosco.
A Naiane é positivamente inquieta,
cheia de talentos e sem medo da vida. Sabia que não ia “esquentar cadeira”
muito tempo lá em casa. A faculdade foi apenas um fator deflagrador.
Bom, independentemente disso,
minha primeira reação foi tentar mantê-la, ainda que por meio período. Mãe é
assim, sabe o que é bom para seus filhos. Aqui dentro sempre soube que o alto
astral, a espontaneidade, o carinho, o jeito, a alegria, a energia, a
responsabilidade e a leveza da Naiane não são fáceis de encontrar por aí. Por
isso não me arrependo, nem por um minuto, da grande confusão que eu arrumei
tentando mantê-la. Foi um verdadeiro jogo de xadrez, no qual você era a única
que, definitivamente, não poderia sair perdendo. A questão é que, como num jogo
de xadrez, cada peça movimentada influencia tudo a sua volta. No nossa caso, influenciava
na vida da Sidilene (nossa empregada doméstica), da Nilza (possibilidade de nova
babá), de um possível novo empregador para a Sidilene ...Ufa! “Carpinteira do
universo inteiro eu sou” - tola e desgastante pretensão essa minha. Enfim,
considerei todos os aspectos, cruzei possibilidades e transformei a questão em
algo que me trouxe muita angústia. No final, ficamos com uma nova babá e uma nova
empregada doméstica. No último dia da Naiane, 18 de maio, chorei como criança. E
aconteceu algo cada vez mais raro naquela época: apaguei e você dormiu
calmamente com o papai. E vamos em frente.
A partir dali, tínhamos 1 mês até
a nova babá poder começar. Metade desse período, a super vovó ficou conosco, e
a outra metade foi comigo mesma. Mudei os planos das férias e fiquei os 20 dias
aqui, com você. As duas últimas semanas das minhas férias já coincidiram
(propositadamente) com o início da nova babá, a Nilza. Pude observar seu jeito
e passar todas as orientações. Responsável, profissional, correta, mas falta um
calor humano, falta um sentar no chão para brincar e se divertir com você,
falta um sorriso no rosto. Falta um capricho, um algo a mais. Ai, ai, ai, a
questão ainda estava longe de encerrar. O que fazer agora?
A solução encontrada
foi matricular você na escolinha por meio-período (tarde), para garantir uma
dose de atividades direcionadas e de diversão na sua vidinha, afinal, brincar é
sua única e nobre obrigação agora. Com isso, tivemos que dispensar a nova empregada doméstica que, por sinal, era muito boa. A Nilza ficava com você de manhã e cuidava da casa à tarde. E assim ficou sendo por dois meses. Mas as
coisas ainda não estavam do jeito que eu gostaria. Meu coração ainda não tinha
acalmado. Por mais que eu tivesse combinado com a Nilza de ficar com você de
manhã e cuidar da casa à tarde, ela adiantava coisas da casa de manhã (devia
ter lá seus motivos), mas o fato é que não dedicava atenção exclusiva a você. Conclusão: novas
mudanças. Passamos você para a escolinha no período da manhã. Mesmo assim nossa
rotina ainda não estava boa como eu sei que pode ser. Como era antes.
O final
dessa novela? Ainda não acabou. Ainda não estou sossegada. Aguardem as cenas
dos próximos capítulos!
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