Quando, em função da mudança das babás, decidimos que eu anteciparia minhas férias de julho para junho e ficaria aqui em Porto Velho, já tínhamos comprado as passagens para o Sul. Cancelamos a minha e a sua, mas o papai manteve os planos, para matar a saudade do vovô e de toda a família lá do Sul. Ou seja, ficamos nós duas aqui por 13 dias. Solitas.
Foi especial e difícil. Seu pai estar aqui ou não faz muita diferença, faz toda
diferença, pois ele é, de fato, meu parceiro nos cuidados com você. Não só nos
cuidados, mas no carinho e na atenção. Tudo correu bem. Levamos nossa vidinha,
nos divertimos, aproveitamos muito uma da outra. Vivemos momentos muito
especiais e outros difíceis, pois a rotina era pesada, física e emocionalmente,
afinal você ainda estava na fase de adaptação à escolinha e eu já tinha voltado ao
trabalho: acorda cedo, trabalho, casa, almoço, mochila Marina, ida pra
escolinha, choro, despedida, culpa, dúvidas, coração dilacerado, mais
trabalho, escolinha, reencontro, resistência em sentar na cadeirinha do carro,
chegada em casa, banho, jantar (ou não), brincadeiras sem fim, cansaço, sono
agitado, cheio de interrupções. E tudo de novo. E de novo. E de novo. Fora os
avulsos - nova picada de inseto, corrida pro médico... Ufa!
Você é tudo pra mim, filha. A
minha vida. Quando eu olho pra dentro de mim, é só você que eu vejo. Mas, apesar
de toda a alegria que você me dá (até porque uma coisa não tem nada a ver com a
outra), no final dessa jornada, o cansaço veio me visitar. Na véspera de o seu
pai chegar, não consegui levantar da cama: pressão baixa, fraqueza, enjoo. Umas
10h da manhã, consegui ir ao médico. Fiz alguns exames. Tudo indicava que era
fadiga mesmo, falta de sono. Tomei soro com complexo B e vitaminas e melhorei.
Mas nesse dia, não fui ao trabalho. No dia seguinte, papai chegou e, aí, foi só
alegria. Saudade aplacada, amor transbordando, energias recarregando... E, 3
dias depois, nada menos que uma mudança de apartamento nos esperava! E vamos
que vamos.
Mas, a respeito do título desse
texto, quero registrar que, durante esse período, principalmente no primeiro
final de semana, ficamos muito na companhia das nossas amigas Ana, Mari e
Carol. Almoços, conversas, apoio e muito carinho foi o que trocamos nesses
dias. Mas no domingo (15), o cansaço estava daqueles. Você dormiu pouco, e o
dia se arrastou. Eu estava sem graça, sem energia. Mas, no finalzinho do dia,
descemos para levar o lixo lá fora. Fui pelo elevador desejando que o parquinho
estivesse com boas companhias. Nada. Não tinha ninguém. Fomos até lá fora,
deixamos o lixo e, nesse intervalo, adivinha? Chegaram as boas companhias. E o
entardecer encheu nossos corações de uma fresca alegria. As brincadeiras das
crianças e conversas dos pais deram lugar a cantoria e danças de crianças e adultos.
Você, a mais novinha, ficou no centro da roda, fazendo mil gracinhas e
coreografias. Encantou a todos com sua alegria. Essa alegria que vence o
baixo-astral e dá sentido a qualquer domingo.
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