quinta-feira, 15 de março de 2012

Muito prazer, Papai do Céu.

Na manhã do dia 11/03, você foi batizada. Escrever esse texto levanta uma questão bem maior. Como abordar a religião com você? Poderia dizer que nesse dia você visitou a casa do Papai do Céu e recebeu o batismo, que “nos livra de todos os pecados mortais e nos torna filhos de Deus”.  Segundo a crença, “nossos pais nos deram a vida natural do corpo, mas Deus nos dá a alma. O batismo nos dá a fé e a vida divina. A Santíssima Trindade toma posse da alma e começa a nos santificar”.
Seu avô Rosaldo argumenta que acha que as crianças não deveriam ser batizadas, pois elas devem escolher sua religião quando tiverem discernimento para tal. Faz sentido, mas acho que não faz mal nenhum você partir de alguma referência.
Cabe a nós dar a você acesso ao conhecimento, educação e segurança para que você desfrute da melhor forma possível a liberdade que a idade lhe trará, fazendo, inclusive, as suas escolhas.
Seu pai e eu somos católicos, mas não temos freqüentado muito as missas. No meu caso, especificamente, considero pequeno o conhecimento que tenho sobre a minha religião, o que não é bom. Quero mudar isso. Tenho alguns questionamentos em relação à Igreja Católica, mas compartilho de muitos de seus valores, como o da fraternidade, bondade, igualdade e acredito em Jesus Cristo, que foi, independentemente de qualquer detalhe, um homem muito bom. Enfim, teremos muito tempo para conversarmos sobre esse assunto.
Voltando ao batismo, ele envolve algo muito especial: a criança passa a ganhar uma madrinha e um padrinho. São pessoas que serão ainda mais especiais na vida da criança e que são escolhidas com muito carinho pelos pais. No seu caso, seus padrinhos são a Tivó Elene e o Tio Cleiton e o seu padrinho de consagração a Nossa Senhora (a mamãe do Papai do Céu) é o tio Gui.
Os três ficaram muito felizes com o convite – sua tivó choraaaava ao telefone. E, no dia 11, estavam os três aqui, cheios de orgulho e emoção. Seu laço com os três já é naturalmente forte. Percebemos, ao longo desse seu primeiro ano, que esse laço era especialmente forte. Agora, a partir do batismo, ele ganhou ainda mais significado.
No dia do batizado, nos atrasamos para a missa anterior ao sacramento. Para falar a verdade bem verdadeira, me enrolei no horário, tentando fazer duas maria-chiquinhas em você. Que coisa feia, né? Mas foi sem querer. O padre fez algumas piadinhas no meio da missa em relação ao nosso atraso e também ao fato de você não estar ali próxima ao altar conosco (lembrando que essa não era a hora do batismo e sim da missa que antecedeu a cerimônia). Nessa hora, me deu vontade de pedir o microfone e propor um desafio: deixo a Marina aqui na frente durante toda a missa e vamos ver se o senhor não vai pedir, pelo amor desse nosso Deus, que ela volte a passear lá atrás com os vovôs (que era o que você estava fazendo). Afinal, você, como qualquer criança saudável da sua idade, é cheia de energia, graças a esse mesmo bom Deus. Mantê-la ali parada é impossível. Enfim, essa parte foi um pouco desagradável, mas ele está certo. O batismo foi uma decisão nossa e não fomos forçados a tomá-la. Sendo nossa opção, temos que nos adequar às regras da Igreja. Só acho que Jesus Cristo, no lugar do Padre, teria sido mais tolerante, sensato e piedoso nessa situação. Não teria nos exposto na frente de tantas pessoas que assistiam a missa naquele horário.
Ao final da missa, as crianças a serem batizadas e suas famílias foram para uma capela no canto da Igreja.  Durante o sacramento, que foi em conjunto com mais umas 8 crianças, o padre também comentou sobre casais não casados na igreja e sobre famílias que não frequentam sempre as missas, mas, nesse caso, não éramos o único alvo. Enfim, apesar dos comentários afiados do padre, a cerimônia foi bacana. Você ficou meio chorosa e irritada no começo – era um misto de sono, com vontade de mamar no peito, o que era impossível naquele momento, até porque meu vestido não permitia. Até que você foi acalmando e dormiu ainda no começo, permanecendo assim durante toda a cerimônia. Depois, fechamos com chave de ouro esse momento especial com um delicioso almoço no restaurante Moqueca Capixaba, onde foram, além de nós, os avós, os padrinhos, o tio Diego e um casal de amigos dele.
Depois, era correr pra casa, pois os preparativos para a festa de certa pessoinha estavam nos esperando. E todo mundo entrou na dança. Até dobrar guardanapo seu vovô Orcelo dobrou! Mas a festa já é assunto para outro texto, tá?







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