Essa semana chega ao fim minha licença-maternidade. Fico pensando no sentido desse termo. “Com licença, mundo, que eu vou ‘descer’, vou viver minha maternidade. Estou de licença para todo o resto. Com licença que agora eu sou para a Marina”. Assim foram nossos dias. Entrega total. Acompanhada de certo medo, insegurança e muitas descobertas. Aos 32 anos, quando você acha que já tem algum controle sobre sua vida e sobre si própria, você tem que aprender a lidar com o imprevisível, com o novo a cada dia e com um amor incontrolável. Acabada a licença, tenho que pegar o "trem" da velha rotina novamente, agora na nova condição de mãe. Mais um desafio.
Será muito, muito difícil não ficar com você todo o tempo. Durante esses cinco meses, meu tempo foi seu. Em alguns momentos, foi difícil. É cansativo. Em seus momentos menos tranqüilos, é angustiante não saber o que fazer para te acalmar. Em outros, o estoque de brincadeiras e músicas parece ter chegado ao fim e tudo o que se quer é dormir um pouco. As mamadas, por vezes, são intermináveis, e o corpo dói. A maternidade tem um lado difícil. Mas, o outro lado da maternidade é nada menos do que a melhor coisa do mundo.
Essa licença também foi um momento de balanço. Voltada só para você e, de certa forma, para mim mesma, relembrei várias situações da minha vida. Senti saudade de pessoas e momentos que a rotina massacrante escondeu bem escondidinho aqui dentro; coloquei algumas ideias e sentimentos em ordem (tá certo que outros ficaram ainda mais de pernas para o ar).
Essa licença também fez eu redescobrir e me reaproximar de pessoas muito queridas. Ao receber visitas que vinham com o único propósito de te conhecer e de estar conosco, as saídas, as viagens, os passeios, as distrações e as cervejas davam lugar a muitas conversas. Sempre longas, francas, inteiras. Isso foi realmente muito bom.
Obrigada por tudo isso, filha.
Mas agora, um novo ciclo começa. Volto ao trabalho. Meu coração está apertado. Há um nó de marinheiro na minha garganta. Não consigo nem continuar a escrever...não há nem o que dizer...
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